Deputado diz que Congresso deve participar de demarcações para evitar abusos
24/03/2015 - 18:06

O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) afirmou, nesta terça-feira (24), que o Congresso Nacional deve participar dos processos de demarcações de terras indígenas para evitar “abusos”. Ele propôs que o Estado compre e “não retire do legítimo proprietário” as terras a serem ocupadas pelos índios.
A declaração foi feita em audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Um dos pontos abordados no debate foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, em análise na Casa, que submete ao Congresso a decisão final sobre a criação e a modificação de terras indígenas, quilombolas e áreas de proteção ambiental. Atualmente, esses processos estão concentrados no Poder Executivo.
O deputado Valdir Collatto (PMDB-SC) também rejeitou a ideia de ampliação de reservas indígenas e disse ser necessário levar cidadania a esses povos. “Temos de retirar a carteira de indígena e dar a de trabalhador. Possibilitar que os indígenas retirem o sustento de seu trabalho”, declarou.

Relator da comissão especial, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) defendeu a PEC 215 com base em artigos da Constituição que atribuem a competência em relação aos indígenas ao Congresso Nacional. Ele observou que, atualmente, é vedada a remoção dos indígenas de suas terras, salvo autorização do Legislativo.
Genocídio
Já a deputada Erika Kokay (PT-DF), contrária à PEC, criticou o que seria um “genocídio” da população indígena. Para ela, a PEC 215 significa um “retrocesso” das políticas indigenistas.
Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição - Marcelo Oliveira