Política e Administração Pública

Líder do Pros vê interesse em ministério nas críticas a Cid Gomes

18/03/2015 - 19:43  

O líder do Pros, deputado Domingos Neto (CE), rebateu as críticas da oposição e do PMDB ao então ministro da Educação, Cid Gomes, filiado ao Pros. Após comissão geral realizada no Plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (18), Gomes pediu demissão do cargo.

Segundo Domingos Neto, as críticas ao agora ex-ministro tinham a intenção de ver mais uma cadeira vaga na Esplanada dos Ministérios. “Foram colocadas as desculpas [pelo então ministro], agora questionar a permanência do ministro é puxar de um fato para atender a interesses políticos obscenos”, declarou o líder.

Neto disse ainda que ouviu um pronunciamento diverso daquele questionado pela oposição. “Pelas palavras dos que me antecederam, parece que foram dois ministros diferentes que estiveram aqui”, comentou. Ele reforçou que Cid Gomes pediu, sim, desculpas por ter declarado, na Universidade Federal do Pará no mês passado, que haveria “ 300 ou 400 achacadores” no Congresso. “Eu o ouvi reconhecer que foi infeliz naquele momento, não estava tentando falar como ministro, pediu reiteradamente perdão”, defendeu o líder do Pros.

Padrão histórico
O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), considerou que a fala de Cid Gomes sobre os “deputados achacadores” foi um desastre, mas é reflexo histórico do Parlamento.

Gustavo Lima / Câmara dos Deputados
Reunião com a presença do ministro da Educação, Cid Gomes para prestar, pessoalmente, nos termos do art. 50 da Constituição Federal e do art. 219, I, e § 1º, do RICD, informações sobre declaração feita durante visita à Universidade Federal do Pará. Dep. Pompeo de Mattos (PDT-RS)
Para Pompeo de Mattos, convocação do então ministro se transformou em "sessão pastelão".

“Com a mesma tranquilidade que nós, do Psol, não operamos no plano do achaque, temos de reconhecer que o padrão histórico da política brasileira tem muito essa matriz do toma-lá-dá-cá, do achaque”, comentou.

Alencar mostrou insatisfação com o que seriam "interesses ocultos" em prolongar as críticas a Gomes. Na avaliação do deputado, as necessidades da educação deveriam ser priorizadas. “É preciso saber o que é principal e o que é secundário, e revelar quais os verdadeiros interesses em se prolongar essa crise com o [então] ministro da Educação e com o Parlamento.”

“Sessão pastelão”
Vice-líder do PDT, o deputado Pompeo de Mattos (RS) disse que a troca de acusações entre Cid Gomes e parlamentares não trazia benefícios a nenhum dos lados. De acordo com ele, a convocação do então ministro se transformou em uma “sessão pastelão”.

“É uma sessão pastelão, que só pega bem para olharem de fora e rirem de todos nós dizendo ´lá estão os bobos'", apontou Mattos. Para o vice-líder, a Câmara ganharia mais se estivesse discutindo políticas de educação e não o comportamento do então ministro.

Reportagem – Tiago Miranda e Carol Siqueira
Edição – Marcelo Oliveira

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