Congresso Nacional aprova orçamento de 2015; texto vai à sanção

Proposta destina R$ 12,37 bilhões às emendas parlamentares individuais, que são direcionadas para custeio, obras e serviços nas bases eleitorais dos congressistas em áreas como educação, saúde, esporte e turismo. Metade desse valor será obrigatoriamente para ações de saúde nos municípios.
Da Agência Câmara - 17/03/2015 - 23:39
Sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para votar o projeto de lei do orçamento de 2015 (PLN 13/14)
Deputados e senadores aprovaram proposta que prevê receita de R$ 13 bilhões superior ao que foi inicialmente estimado pelo governo. - Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (17), por acordo entre os partidos, o orçamento federal para 2015. O projeto (PLN 13/14), que irá agora para sanção presidencial, prevê R$ 12,37 bilhões para emendas individuais de deputados e senadores, o maior valor já consignado para esse tipo de ação na lei orçamentária.

O número inclui os 268 parlamentares que estrearam no Congresso neste ano e que ganharam o direito de apresentar, cada um, R$ 10 milhões em emendas; e os que apresentaram durante a tramitação do projeto na Comissão Mista de Orçamento (CMO), em 2014 – estes tiveram direito a R$ 16,32 milhões.

As emendas individuais são direcionadas para custeio, obras e serviços nas bases eleitorais dos congressistas em áreas como educação, saúde, esporte e turismo. Metade do valor destinado pelos parlamentares estreantes e pelos antigos foi obrigatoriamente para ações de saúde nos municípios. Nesta terça, o Congresso promulgou a emenda constitucional que obriga a execução das emendas individuais ao orçamento.

Superavit

Segundo o relator da proposta, senador Romero Jucá (PMDB-RR), o texto que sai do Congresso é compatível com a meta de superavit primário do governo federal para este ano (R$ 55,3 bilhões). Por causa da reestimativa de receita empreendida na Comissão de Orçamento, a proposta aprovada é cerca de R$ 13 bilhões superior à enviada pelo Executivo no ano passado.

Sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para votar o projeto de lei do orçamento de 2015 (PLN 13/14). Sen. Roméro Jucá (PMDB-RR)
Romero Jucá: texto é compatível com a meta de superavit primário do governo federal. - Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Os números finais, no entanto, só serão conhecidos nos próximos dias, quando as mudanças negociadas nas últimas horas pelo relator forem incorporadas ao texto de mais de 4 mil páginas.

Acréscimos

O senador explicou que destinou mais R$ 1,5 bilhão para o programa Minha Casa, Minha Vida, e R$ 3,9 bilhões para estímulo às exportações (a chamada Lei Kandir). Em relação a essa dotação, a novidade foi a inclusão, já na lei orçamentária, da tabela com os coeficientes usados para calcular quanto cada estado terá de participação nos recursos da Lei Kandir.

A tabela foi acolhida por Jucá a pedido do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), fórum que reúne secretários estaduais da Fazenda. Até o ano passado, os coeficientes vinham na medida provisória que o Executivo edita anualmente para liberar os recursos da Lei Kandir.

Fundo Partidário

Uma das principais modificações feitas pelo relator foi a ampliação dos recursos para o Fundo Partidário, que passou de R$ 289,6 milhões (dotação inicial prevista no projeto) para R$ 867,6 milhões. Em 2014, por exemplo, o Fundo Partidário distribuiu R$ 371,9 milhões (incluindo restos a pagar).

O senador disse que a ampliação foi uma demanda dos partidos. “Todos pediram, da direita à esquerda”, afirmou. Ele defendeu o aumento e disse que isso pode ser visto como um embrião do financiamento público de campanha, um dos temas discutidos dentro da reforma política.

Cancelamento

Para atender todas as demandas que chegaram a ele nos últimos meses, Jucá cancelou R$ 4,8 bilhões que estavam destinados originariamente, pelo projeto do governo, para despesas com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Essa conta subsidia, entre outras coisas, a geração das termelétricas a diesel, para evitar impacto para os consumidores.

O senador explicou que o cancelamento foi acordado com o governo, já que a CDE não será usada neste ano, pois o financiamento das termelétricas virá do aumento da conta de luz. Além disso, ele afirmou que o remanejamento dos recursos cancelados para outras despesas “é compatível com a meta fiscal deste ano”.

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura “Agência Câmara”.

Veja também