Oposição denuncia “impaciência” do governo e quer discutir projeto item por item
Depois de ter conseguido o direito a discutir quatro destaques ao projeto que altera o cálculo da meta do superavit (PLN 36/14), a oposição avisa que pretende discutir “item por item” a proposta. “A sessão só está no meio, ainda temos muita discussão, é uma matéria complexa e temos de discutir item por item, à exaustão”, disse o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).
Governistas, no entanto, cobram mais celeridade no andamento da sessão. Gritos de “vamos votar” são constantes após qualquer tentativa de prolongamento da sessão por parte da oposição.
A sessão completará 16 horas de duração ininterrupta, e as previsões dos parlamentares não são as melhores. O líder do Pros, deputado Givaldo Carimbão (AL), disse que a sessão duraria até as 8 horas da manhã. Outro parlamentar falou em 3 horas da manhã.
O presidente do Congresso, Renan Calheiros, pediu calma. “Já chegamos até aqui, paciência”, disse ele, antes de o clima da sessão reacender com a pressão da oposição pela votação dos destaques.
Quem ganha com o prolongamento da sessão é a oposição, que conta com o esvaziamento do Plenário para encerrar a votação por falta de quórum. O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), pede que os parlamentares governistas se mantenham no Plenário.
Críticas
O líder do DEM também voltou a criticar a mudança na meta. A proposta permite que, mesmo com um deficit primário, o governo fique dentro da meta fiscal, porque poderá descontar as desonerações e investimentos na meta de economia. Para Mendonça Filho, trata-se de maquiagem. “Lá não se corta cabelo, é só maquiagem”, ironizou.
Para evitar o prolongamento ainda maior na disputa com a oposição, a estratégia do governo é não responder às provocações dos oposicionistas. Mais cedo, Henrique Fontana disse que o governo gastou mais para garantir a manutenção do emprego e da renda.
Governistas também ressaltam que vários estados estão com problemas para fechar as contas e lembram que, em 2001, mudança semelhante na meta fiscal foi feita a pedido do então presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso.