Oposição cobra reunião de emergência da CPMI para discutir denúncias de Costa
Justiça Federal do Paraná liberou áudio do depoimento de ontem de Paulo Roberto Costa. Em nota, PT contestou as informações do ex-diretor.
09/10/2014 - 18:05 • Atualizado em 09/10/2014 - 19:06
Parlamentares da oposição cobram que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras tenha uma reunião de emergência para falar sobre o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa dado na quarta-feira (8) à Justiça Federal do Paraná.

Em áudio do depoimento, liberado nesta quinta-feira pela Justiça do Paraná e divulgado pela imprensa, Costa diz que parte da propina cobrada de fornecedores da estatal era direcionada para atender a PT, PMDB e PP.
“Agora vindo a público esses áudios do senhor Paulo Roberto Costa indicando todos os caminhos, valores e pessoas, a CPMI deve se reunir imediatamente, tomar posições imediatas para responder à altura à sociedade brasileira”, disse o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), membro da comissão.
Propina
No áudio divulgado pela imprensa, Costa afirma que cada contrato fechado com as diretorias comandadas pelos três partidos deveria ter 3% destinado à propina. O depoimento foi dado ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da operação Lava Jato na primeira instância.
De acordo com as denúncias do ex-diretor, o PT recolheria para o seu caixa 100% da propina obtida nas diretorias que a sigla administrava, como as de Gás e Energia; Corporativa e de Serviços; e Exploração e Produção.
"Olha, em relação à Diretoria de Serviços [comandada por Renato Duque], todos sabiam que 3% [cobrados de propina] eram para atender ao PT. Através da Diretoria de Serviços. Outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção, também eram PT", declarou Costa à Justiça Federal.
Já em diretorias comandadas pelo PP, 2/3 da propina ficaria com o PT e o restante com o partido aliado. A maior parte dos recursos, segundo Costa, ia para os partidos. Havia ainda uma parcela (em média, 0,2% do valor do contrato) que ia para despesas de envio e notas fiscais do total. O restante ficava com Costa ou outro diretor responsável e um pouco ainda para o doleiro Alberto Youssef.
O PMDB também receberia parte da propina em contratos das diretorias que comandava, como a Internacional. O percentual, porém, não foi detalhado por Costa.
O presidente da CPMI da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), não foram encontrados para comentar o caso. Parlamentares da base governista que integram a CPMI também foram procurados, mas não quiseram comentar ou não retornaram o contato.
Nota de resposta
Em nota, o PT contestou as informações passadas pelo ex-diretor. Segundo o partido, as declarações são “caluniosas” e todas as doações recebidas “seguem as normas legais e são registradas na Justiça Eleitoral”.
O presidente do partido, Rui Falcão, lamentou que “estejam sendo valorizadas as palavras do investigado, em detrimento de qualquer indício ou evidência comprovada”.
A Petrobras também divulgou nota sobre o caso. A estatal informou que vem acompanhando as investigações e colaborando com as autoridades. Segundo a nota, a Petrobras é vítima nesse processo de apuração das denúncias.
Para o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), que é vice-líder do seu partido, toda e qualquer denúncia deve ser investigada a fundo. Ele ressaltou, porém, que é preciso ter cuidado e responsabilidade para basear as ações da CPMI em provas.
"Estamos tratando de coisa séria, de denúncia de propina. Isso dá cadeia, dá perda de mandato. Isso acaba com a vida das pessoas. Então, devemos ter o maior senso de responsabilidade possível e nos basearmos em provas cabais e em não palavras ao vento, isso não quer dizer nada", disse Castro.
Histórico
Paulo Roberto Costa chefiou a Diretoria de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012. Ele foi preso em março pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, acusado de fazer parte de um esquema que teria desviado cerca de R$ 10 bilhões da estatal. Após fazer acordo de delação premiada com a Justiça, Costa foi autorizado a ficar em prisão domiciliar.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli