Meire Poza confirma informações vazadas de depoimento à Polícia Federal
08/10/2014 - 18:10
Informações divulgadas pela imprensa do depoimento de Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, à Polícia Federal (PF) foram confirmadas durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras nesta quarta-feira (8).
Uma delas seria de que o doleiro Alberto Youssef já teria acertado R$ 25 milhões da parte prometida pelo PT para saldar dívidas de uma empresa dele, a operadora de turismo Marsans, segundo Poza. O dinheiro viria do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, por meio de acordo entre PT e PMDB.
“A pessoa do Postalis nomeada pelo PT já havia resolvido [o acordo] e faltava a ponta do PMDB”, disse a contadora. Ela acrescentou que a afirmação de Youssef foi feita em março deste ano, pouco antes de ser preso. Youssef teria vindo a Brasília para negociar com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Empréstimo
A empresa de Poza também intermediou o empréstimo de R$ 4 milhões de Youssef com o banco Stock Máxima para pagar salários atrasados de funcionários da Marsans. “Os R$ 4 milhões eram algo urgente”, frisou Poza. Segundo ela, nem a operadora de turismo pagou o que devia a Poza nem ela quitou a dívida com o banco. A contadora também declarou que não foi acionada pelo banco para quitar suas dívidas.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou em 16 de setembro a falência do Grupo Marsans, operadora de turismo que fechou as portas em junho e deixou cerca de 4,5 mil clientes na mão. A decisão foi tomada porque a companhia não apresentou o plano de recuperação judicial no prazo previsto. As dívidas da corporação estão estimadas em R$ 57 milhões.
Parlamentares
Poza também falou do relacionamento de Youssef com parlamentares. Segundo ela, o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) recebeu de presente do doleiro Alberto Youssef um helicóptero no valor de R$ 800 mil.
“Está em nome da GFD. Foi adquirido de uma empresa chamada Cardiomédica. O deputado utilizava o helicóptero. Não foi transferida a titularidade”, afirmou. A informação tinha sido dada em setembro pelo advogado Carlos Alberto Pereira da Costa à Justiça, em um acordo.
Em agosto, Meire esteve no Conselho de Ética da Câmara, onde disse que Argôlo recebeu dinheiro do doleiro e que os dois mantinham “negócios ilícitos”.
A contadora informou ainda que fez pagamentos para familiares de parlamentares. “Fiz pagamento ao deputado André Vargas (PT-PR), que depois eu soube que era do jatinho [emprestado pelo Youssef para uma viagem ao Nordeste]; para familiares do Luiz Argôlo; e outras operações que eu não sei quem são as pessoas”, apontou. A lista com os nomes de cidadãos a quem Poza transferiu dinheiro a pedido de Youssef foi apreendida pela Polícia Federal durante a operação Lava Jato.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcelo Oliveira