Política e Administração Pública

Gerente de banco alega sigilo e não revela informações sobre conta de Argôlo

20/08/2014 - 14:35  

O depoimento do gerente de conta bancária do deputado Luiz Argôlo (SD-BA), Douglas Alberto Bento, não adicionou informações à investigação realizada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

Douglas Alberto afirmou que não mantém relação pessoal com Argôlo, e, sim, relacionamento comum entre cliente e gerente bancário. Segundo a testemunha, que administra a conta do deputado na Caixa Econômica Federal, em respeito ao sigilo, não é possível revelar informações sobre as transações bancárias.

O pedido de investigação contra Argôlo foi apresentado pelo Psol e pela Mesa Diretora da Câmara com base em reportagens da revista Veja e do jornal Folha de S.Paulo que citam mensagens trocadas entre o doleiro Alberto Youssef e o deputado sobre a transferência de R$ 120 mil para a conta do chefe de gabinete do parlamentar, Vanilton Bezerra. Youssef foi preso em março, na operação Lava Jato, da Polícia Federal, por participação em esquema de lavagem de dinheiro.

Montante das transações
O gerente se eximiu de indagações sobre o montante de transações financeiras. Ele ressaltou que qualquer movimentação bancária acima de R$ 10 mil é informada automaticamente ao Banco Central do Brasil. Desse modo, “cabe aos administradores do Sistema Financeiro Nacional, e não ao gerente bancário, o monitoramento de valores”, afirmou Alberto.

O relator do processo no conselho, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), lembrou que não foram entregues, pelo deputado Argôlo, os documentos sobre contas bancárias, conforme havia sido acordado.

Estava previsto também o depoimento de Wanderson Alves Delmondes, que trabalha no gabinete de Argôlo, mas ele não compareceu.

Segundo Marcos Rogério, não haverá nova convocação de testemunhas. O relator dispõe do prazo de 40 dias para concluir o processo.

André Vargas
Em seguida, o Conselho de Ética votará o parecer do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que recomenda a perda de mandato do deputado André Vargas (PT-PR), que também é investigado por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Já há quórum para votação.

Segundo Júlio Delgado, relator do processo, Vargas quebrou o decoro parlamentar ao ter atuado na intermediação junto ao Ministério da Saúde em favor do laboratório Labogen, de Youssef. Para o relator, Vargas também errou ao viajar em um jatinho providenciado pelo doleiro.

A reunião ocorre no plenário 9.

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Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcos Rossi

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