Ex-diretor da Petrobras diz que não teve participação na compra de refinaria
Depoimento ocorreu na CPMI da Petrobras. Na reunião, integrantes da comissão também repercutiram denúncias de vazamento de perguntas na CPI do Senado que trata do mesmo tema.
06/08/2014 - 20:46

Em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, o ex-diretor da área internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada, afirmou nesta quarta-feira que não teve participação relevante na aquisição da refinaria de Pasadena (EUA).
Zelada falou sobre sua participação na compra da segunda metade da refinaria, em 2008; e nos contratos com a empreiteira Odebrecht para obras de segurança, meio ambiente e saúde em refinarias da Petrobras no exterior.
No primeiro caso, Zelada teria assinado o resumo executivo para orientar o Conselho de Administração da estatal a comprar ou não a segunda metade da refinaria norte-americana. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) o aponta como um dos 11 executivos responsáveis por prejuízos de 793 milhões de dólares à Petrobras no caso Pasadena.
Já em relação à Odebrecht, Zelada foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por fraude em licitação. No entanto, o ex-diretor da Petrobras se eximiu de responsabilidade nos dois casos.
"Quanto a Pasadena, este resumo executivo já estava elaborado antes da minha entrada. E quanto à contratação da Odebrecht, ela apresentou o menor preço na licitação. Eu jamais interferi em licitações para beneficiar quem quer que seja", afirmou o ex-diretor.
Vazamento de informações
A reunião da CPMI também repercutiu as denúncias de suposto vazamento de informações para depoentes na CPI do Senado, que investiga as mesmas irregularidades da Petrobras. Os partidos SD, PPS e PSDB, todos de oposição, apresentaram uma série de requerimentos para ouvir os citados na denúncia e, sobretudo, reconvocar o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli e a atual presidente, Graça Foster, supostamente beneficiados pelo vazamento de perguntas na CPI do Senado.
Vice-líder do PSDB, o deputado Izalci (DF) avaliou que a denúncia no Senado contamina a CPMI, que é formada por deputados e senadores. "É indiscutível que a prática espúria adotada naquela comissão se repete no âmbito desta comissão mista, até porque a relatoria das duas comissões é capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores."
Já o relator da CPMI, deputado Marco Maia (PT-RS), descartou qualquer risco de vazamento de perguntas. Maia explicou que as perguntas que formula são elaboradas por um assessor de sua confiança, em parceria com a Consultoria Legislativa da Câmara.
"Não há nenhum vínculo com a CPI do Senado. Isso, por si só, já é a garantia de que não há nenhuma possibilidade de essas perguntas terem chegado a quem quer seja na Petrobras ou em qualquer outro lugar. Mas volto a afirmar: não há como, com CPIs com objeto e requerimentos iguais, não ter perguntas semelhantes a um ou outro interrogado", disse o relator.
Balanço parcial
Maia aproveitou para apresentar um balanço das atividades da CPMI da Petrobras até agora. Os deputados e senadores realizaram nove reuniões, sendo cinco para ouvir depoimentos e duas deliberativas.
Foram apresentados 638 requerimentos, dos quais 320 já foram apreciados. Ao todo, a CPMI já recebeu cerca de 25 gigabytes de documentos vindos de vários órgãos, como Petrobras, Tribunal de Contas da União, Justiça Federal e bancos.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli