Relator: depoimento pouco acrescentou à investigação sobre André Vargas
15/07/2014 - 19:20 • Atualizado em 16/07/2014 - 21:19

O depoimento do prefeito do município paranaense de Apucarana pouco acrescentou ao processo que investiga suposta quebra de decoro parlamentar por parte do deputado André Vargas (PT-PR). A declaração é do relator no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Segundo o relator, o prefeito Carlos Alberto Gebrim Preto, ouvido nesta terça-feira por indicação da defesa, não tem ligação com a suspeita de envolvimento de André Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Polícia Federal por participação em esquema de lavagem de dinheiro.
"É difícil. Uma testemunha que não tem nada a ver com os fatos arrolados, que não está no processo, que não está na instrução, que não foi citada em momento algum”, observou Delgado. “Ele pouco teve a elucidar nesse caso e parece que esta será a tendência das testemunhas arroladas pela defesa; mas nós vamos continuar convidando para poder cumprir o prazo já que, [o Plenário da Câmara] não votando a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], nós temos prazo de 40 dias, que termina em 29 de julho."
No dia 25 de abril, o deputado André Vargas anunciou que estava se desfiliando da legenda pela qual militou por 24 anos. No entanto, até hoje, nem ele nem o partido comunicaram oficialmente à Câmara a desfiliação.
Viagem ao Nordeste

Carlos Alberto Gebrim respondeu as perguntas formuladas pelo relator, pelo advogado Michel Saliba e por integrantes do Conselho. Ele disse conhecer Vargas há mais de 20 anos e não ter conhecimento de qualquer fato que o desabone.
O prefeito também declarou que sabia da intenção de André Vargas de viajar ao Nordeste, em janeiro deste ano. No dia 2 de abril, em pronunciamento no Plenário, Vargas admitiu ter sido "imprudente" ao fazer a viagem em uma aeronave paga pelo doleiro Alberto Youssef.
"Antes do Natal, no dia 22, 23, ele me relatou que gostaria de fazer uma viagem até o Nordeste. Ele estava tentando viabilizar passagem, mas estava com muita dificuldade de conseguir passagem porque era um grupo de 10 pessoas”, relatou o prefeito. “Nós estávamos tentando viabilizar algumas aeronaves no aeroporto de Apucarana, estávamos tentando fazer um contato com alguém para saber se havia a disponibilidade da aeronave para que ele pudesse fazer o pagamento do combustível. Mas, logo depois, pessoalmente, ele me relatou que não seria necessário."
Adiamentos e recusas
A intenção de Júlio Delgado é apresentar seu parecer na semana de esforço concentrado prevista para agosto. Por isso, confirmou o convite para que André Vargas preste depoimento no dia 29 de julho, data de encerramento do prazo das investigações, se não houver recesso parlamentar.
O Conselho de Ética não tem o poder de convocar testemunhas, mas apenas convidá-las, o que dá margem a adiamentos e recusa de convites, mas o relator espera a presença do investigado.
"Ele, diferente da testemunha de defesa que compareceu hoje, tem conhecimento desses fatos, participou desses fatos. Se ele quer realmente elucidar para que a gente possa concluir o nosso voto e nosso parecer tem de comparecer”, ressaltou Delgado. “Ele vai ter conhecimento, tem conhecimento, através de vocês [imprensa] terá conhecimento que no dia 29 o Conselho de Ética quer ouvi-lo a respeito disso tudo."
Defesa de Argôlo
O Conselho de Ética também confirmou que o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) entregou a sua defesa por escrito nas duas representações de que é alvo (REPs 26 e 27). Uma das representações foi proposta pelo Psol e outra pela Mesa Diretora da Casa, a partir de pedido de investigação do PPS.
Segundo o relator do caso Argôlo, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que irá analisar a defesa, os dois processos serão unificados. Assim como André Vargas, o deputado baiano é suspeito de envolvimento com o doleiro Youssef.
O prazo para as investigações deste caso, inclusive o depoimento de testemunhas (do relator de da defesa), termina em 19 de agosto. O processo deve ser concluído em 24 de setembro para ser levado à votação no Conselho.
Reportagem – Idhelene Macedo
Edição – Newton Araújo