Seguridade discute problemas causados pela monocultura do eucalipto na Bahia

Da Agência Câmara - 14/07/2014 - 11:19

Na sexta-feira passada (11), a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados esteve no município de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, para discutir os impactos causados pela monocultura do eucalipto na região.

Segundo o presidente da comissão, deputado Amauri Teixeira (PT-BA), em alguns municípios do sul baiano a monocultura do eucalipto chega a 85 % da área total, sem contrapartida na qualidade de emprego e de vida. Como consequência houve a extinção de outras culturas como a fruticultura, que era forte na região. "Não somos contra a produção de celulose, mas queremos uma produção com sustentabilidade, com uso de agrotóxicos limitado e monitorado pelos órgãos responsáveis", disse Amauri aos empresários e trabalhadores que acompanhavam o debate no auditório da Câmara de Vereadores.

A audiência foi solicitada pelos deputados Amauri Teixeira e Dr. Rosinha (PT-PR).

Números

As duas maiores produtoras de celulose do mundo estão no sul da Bahia, Fibria e Veracel. Segundo a Embrapa Floresta, o Brasil conta com aproximadamente 523,7 milhões de hectares de florestas. Desse total 6,7 milhões de hectares são áreas plantadas do agronegócio florestal. Sendo que 1/3 dessa área, cerca de 2,1 milhões de hectares, é de monocultura do eucalipto.

"A expansão da monocultura e o consequente uso em grande escala de agrotóxicos, esta causando grandes danos à saúde do trabalhador”, alertou o auditor Fiscal Ministério do Trabalho Marcelo Souza Lima.

A Bahia está entre os oito estados brasileiros que mais usam agrotóxicos. Juazeiro, Barreiras e Feira de Santana lideram os casos de intoxicação por defensivos agrícolas na Bahia.

Saúde

Jorge Huet Machado, representante do Ministério da Saúde no debate, chamou a atenção para o número de acidentes de trabalho na região: mais de 14% para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com o técnico, o estado possui o maior número de acidentes de trabalho do País. "Temos que trabalhar esse passivo, mapear e acolher essas vítimas, com uma previdência social retroativa", ressaltou Jorge.

Segundo o Sindicato de Trabalhadores na Silvicultura, no Plantio nos tratos Culturais, Extração e Beneficiamento da Madeira em Atividades Florestais e Industriais Moveleiras do Extremo Sul da Bahia (Sintrexbem) , os trabalhadores desenvolvem doenças nas mãos e nos ombros por causa dos movimentos repetitivos. “Temos jovens com vinte e poucos anos de idade que já apresentam limitações por conta do trabalho realizado com as máquinas, eles derrubam cerca de 120 árvores por hora! É inaceitável que essas empresas queiram negar que essas atividades causem doenças”, reclamou Silvanio Alves, presidente do sindicato.

Na Câmara dos Deputados há um projeto de lei em tramitação (PL 7160/14), de autoria do deputado Amauri Teixeira, que reduz para seis horas diárias a jornada de trabalho dos operadores de máquina florestal e dos trabalhadores nos viveiros de mudas.

Os empresários se defenderam. De acordo com a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), as máquinas usadas nas lavouras de eucalipto cumprem exigências técnicas, e uma série de medidas são tomadas pelas empresas para diminuir fatores que provocam doenças nos trabalhadores.

Alguns vereadores também reclamaram do espaço ocupado pela monocultura de eucalipto no estado. Julinda Moraes, vereadora de Caravelas, afirmou que 90% do município são ocupados pela monocultura do eucalipto. Já Edinaldo dos Santos, vereador de Teixeira de Freitas, disse que a discussão sobre a monocultura do eucalipto é antiga , mas nunca houve um debate mais profundo.

"A monocultura do eucalipto gera emprego, gera renda, mas é importante defendermos a diversidade, protegendo os trabalhadores e o meio ambiente", defendeu Amauri Teixeira.

Segundo estimativas da ABAF, o setor gera 40 mil empregos diretos e 100 mil indiretos.

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