Política e Administração Pública

CPMI analisará 388 requerimentos na próxima quarta-feira

25/06/2014 - 20:59  

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades na Petrobras deve analisar na próxima quarta-feira (2), às 14 horas, 388 requerimentos dos parlamentares. Entre eles estão pedidos de quebra de sigilos fiscal, telefônico e telemático (internet) do doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes.

A quebra de sigilos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também está na pauta. Também preso na Operação Lava Jato, Costa foi solto dois meses depois, mas voltou a ser preso na última quarta (18), depois da descoberta de que ele teria contas no exterior, o que sugeriria uma possibilidade de fuga.

Para o relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), o tempo agora é de analisar os documentos que já chegaram à CPMI, como os autos da operação Lava Jato da Polícia Federal. “Nós precisamos agora nos aprofundar nas investigações dos documentos que já recebemos para que as perguntas tragam elementos novos”, disse.

Maia afirmou que os parlamentares fizeram nesta quarta-feira mais discursos do que questionamentos ao ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli e reclamou dos que deixaram a comissão logo depois de fazerem perguntas. “Aqueles parlamentares mais críticos são aqueles que fazem sua fala e vão embora. Esse não é o papel de quem está escalado para a investigação.”

Gestão antes de 2002
O deputado Afonso Florence (PT-BA) cobrou a ampliação da CPMI para analisar a gestão da estatal antes de 2002. “Temos de entender como aconteceu o encontro de ativos da Repsol. Temos de investigar a [plataforma] P-36 [afundada em 2001], e o PSDB não aceita retroagir.”

O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli disse que a troca de ativos em 2002 entre a estatal e a Repsol YPF, no caso da refinaria de Bahía Blanca, na Argentina, foi um problema para a Petrobras. “O caso de Bahía Blanca e a troca de ativos com a Repsol é um exemplo típico de que o mercado muda, caso que aconteceu em Pasadena”, afirmou.

O senador Humberto Costa (PT-PE), que fez a pergunta a Gabrielli, afirmou que a operação em Bahía Blanca, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República, gerou um prejuízo para a Petrobras de R$ 2 bilhões.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcos Rossi

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