Endometriose é tema de debate na Comissão de Seguridade Social e Família
Estimativa é que mais de 6 milhões de mulheres no Brasil sofram com a doença que pode provocar dores intensas e até infertilidade.
10/06/2014 - 09:03
A Comissão de Seguridade Social e Família promove hoje uma extensa discussão sobre um problema que, apesar de grave, ainda é um grande desconhecido das brasileiras: a endometriose. Estima-se que seis milhões de mulheres no País sofram com a doença.
A endometriose pode causar dores intensas no período menstrual, além de incômodo durante as relações sexuais, dificuldade de engravidar e, até mesmo, infertilidade. Ela é provocada pela presença do endométrio fora do útero, ou seja, o tecido que reveste o útero para preparar a chegada de um embrião acaba se deslocando, pela corrente sanguínea, para outros órgãos, como ovários, intestinos, bexiga e vagina. Normalmente, o endométrio é eliminado pela menstruação quando não ocorre a fecundação.
Várias são as causas estudadas para a ocorrência da endometriose, como a volta do fluxo sanguíneo da menstruação pelas tubas uterinas, falhas no sistema imunológico ou a presença de células que passam a assumir as características do endométrio.
O deputado Alexandre Roso (PSB-RS) é médico e coordena um grupo recém-criado na Comissão de Seguridade Social para tratar do tema. Ele lembra que o seminário desta terça foi proposto pelo grupo como uma forma de ampliar o debate sobre o problema e reunir sugestões de políticas públicas mais eficazes no combate ao mal.
“Entendemos que hoje as mulheres, além da dificuldade de fazer o tratamento, têm dificuldade de fazer o próprio diagnóstico da doença. Então, esta é a importância da discussão da endometriose dentro do Congresso Nacional para que ele possa produzir políticas públicas para combater essa doença."
Qualidade de vida
Alexandre Roso alerta que a endometriose compromete a qualidade de vida da mulher no ambiente familiar e no profissional. As fortes dores causadas pela doença obrigam muitas vezes a mulher a faltar ao trabalho, além de alterarem sensivelmente seu estado de humor e comprometerem seu convívio social.
“Vamos discutir novas tecnologias, novas formas de diagnóstico. Discutir como o Sistema Único de Saúde enfrenta esta doença. Gosto sempre de dizer que, se nós temos seis milhões de mulheres no Brasil, estamos diante de uma epidemia. Queremos, sim, um bom encaminhamento para tratamento.”
Convidados
O seminário sobre endometriose está marcado a partir 14 horas, no plenário 7 da Câmara dos Deputados. São aguardados os ministros da Saúde, Arthur Chioro, e da Educação, José Henrique Paim, além de representantes da Sociedade Brasileira de Endometriose e de instituições que lidam diretamente com o problema.
Confira a programação do seminário.
Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição – Rachel Librelon