Economia

Governo e iniciativa privada concordam em ampliar investimentos de risco

Capital empreendedor foi debatido hoje pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados.

22/05/2014 - 17:23   •   Atualizado em 29/05/2014 - 11:15

Representantes do governo e da iniciativa privada concordam com a necessidade de definir medidas para ampliar o capital empreendedor, termo empregado para denominar investimentos realizados por meio de capitais de risco. As dificuldades apontadas pelos participantes do seminário “Capital Empreendedor: impactos econômicos e desafios legislativos” estão em como definir quais iniciativas devam ser privilegiadas para receber recursos e conseguir desenvolver boas ideias.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Seminário Capital Empreendedor: impactos econômicos e desafios legislativos. Dep. José Humberto (PSD-MG)
Deputado José Humberto: capital de risco tem que ser premiado.

O evento foi promovido nesta quinta-feira (22) pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados. O debate foi o último antes de o relator do estudo "Capital Empreendedor", deputado José Humberto (PSD-MG), apresentar o texto final com um projeto de lei complementar para incentivar a indústria do capital de risco (venture capital). A proposta deve ser apresentada ainda este ano.

“O risco do capital tem de ser premiado, que isso gera um círculo que é virtuoso, que leva a uma maturação das empresas, um maior profissionalismo”, disse Humberto. Segundo ele, a proposta, ainda em minuta, vai tentar retirar “amarras em questões cartoriais, exigências burocráticas” e outros problemas que travam o investimento em inovação.

Balanço contábil
Uma dessas amarras, apontadas no debate, é a exigência de empresas com ações na bolsa publicar em jornais de grande circulação informações de balanço contábil e outras definidas na Lei das SA (6.404/76). Pela minuta, a regra seria a divulgação exclusiva pela internet. As publicações em jornais valeriam apenas para sociedades de grande porte, ou seja, aquelas com ativo acima de R$ 240 milhões ou receita bruta anual superior a R$ 300 milhões.

“Já temos a praxe de usar a internet para checar ações. Temos de transformar a praxe em lei. É anacrônico que estejamos na era do papel nas comunicações com os acionistas”, disse o membro do conselho de administração da Confrapar Participações, Bernardo Portugal. A entidade é a principal gestora brasileira de fundos de investimento para tecnologia.

Bolsa
A diretora comercial e de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, Cristiana Pereira, concordou que é preciso incentivar o investidor para apoiar ideias de inovação. “Você tem de provar que aquele produto vai ser efetivo, que aquele processo vai continuar e que ela vai ter resultado de longo prazo”, disse.

Segundo ela, um dos principais desafios da bolsa é aumentar o número de empresas, em especial de pequeno e médio porte, que tenham capital aberto. Atualmente, 50% das operações da Bovespa ficam acima de 50 milhões de dólares. Já em países como Inglaterra e Austrália, as operações são em empresas menores, abaixo de 10 milhões de dólares.

Os debatedores concordaram com a necessidade de ampliar o número de empresas com ações na Bovespa, atualmente em 370. Essa seria uma das principais rotas de saída das empresas que receberam investimentos de alto risco.

Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados
Seminário Capital Empreendedor: impactos econômicos e desafios legislativos
Debatedores também discutiram ampliação do número de empresas com ações em bolsa.

Definições
Para Bernardo Portugal, há necessidade de se definir o que é uma empresa inovadora. Ele sugeriu que a classificação valha para empresas que recebam investimento de órgãos de fomento como a Agência Brasileira de Inovação (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Se essas entidades já fizeram essa seleção de quem é inovador, isso precisa ser considerado”, afirmou.

Já o conselheiro da Anjos do Brasil, Rodrigo Menezes, defendeu a existência de um selo, provavelmente elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para dar a segurança jurídica necessária para o investidor aplicar seu recurso em uma nova empresa. “O selo dá segurança jurídica. Ele vai dar a segurança que precisamos, mas não vai ajudar o desenvolvimento da inovação”, afirmou. A entidade sem fins lucrativos busca fomentar o investimento-anjo para apoio a empresas nascentes.

O chefe do Departamento de Investimento em Fundos do BNDES, Leonardo dos Santos, foi contrário ao uso de selos para definir inovação. “Inovação é agregar valor. O que tentamos fazer é definir critérios tangíveis para apoiar investimento. Discordamos de ter um registro na CVM.” Ele defendeu os critérios usados pelo banco para priorizar investimentos em inovação.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Janary Júnior

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