Cidades e transportes

Subcomissão da Câmara cobrará conclusão de obras de mobilidade urbana

Ministério Público diz que obras urbanas para a Copa do Mundo visaram muito mais a ligação entre rodoviárias e aeroportos com as arenas do que o acesso da população local aos estádios.

13/05/2014 - 18:11  

Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Subcomissão Especial da Copa e Olimpíadas - Audiência Pública
Subcomissão da Comissão de Desenvolvimento Urbano cobrará conclusão das obras, mesmo que elas ocorram depois do mundial.

A um mês do começo da Copa do Mundo de futebol, das 41 obras de mobilidade urbana previstas para serem construídas nas 12 cidades-sede, apenas quatro estão prontas. As arenas, mesmo concluídas, apresentam problemas de acesso.

A questão da mobilidade urbana na Copa foi discutida, nesta terça-feira, em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Urbano com o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Procuradoria-Geral da União.

Autor do requerimento para a realização do evento, o deputado Heuler Cruvinel (PSD-GO), afirmou que a subcomissão da Câmara dos Deputados para a Copa está acompanhando as obras e vai cobrar sua conclusão, mesmo que isso não seja possível até o mundial.

Cruvinel afirmou que o evento já frustrou a população porque não é acessível à maior parte das pessoas. Por isso, afirmou que, pelo menos, é preciso garantir que fique o legado da mobilidade. "Nós queríamos que as obras que foram previstas ficassem prontas para a Copa do Mundo. Já que não ficaram prontas, nós iremos cobrar que essas obras finalizem para que possam dar uso para toda a população brasileira", ressaltou.

Falta planejamento
O coordenador-geral de Infraestrutura do TCU, Adalberto Vasconcelos, disse que as obras de mobilidade são de responsabilidade dos tribunais estaduais, mas que o Tribunal de Contas da União acompanhou a liberação de recursos pelo BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Ele disse que, se algumas já tiveram 100% dos recursos liberados, outras sequer saíram do papel. Vasconcelos contou que o TCU autuou sobretudo na fase de editais e, com as correções, fez economia de R$ 500 milhões.

Em sua opinião, falta planejamento nas obras de infraestrutura no País em geral: "Precisaríamos ter um planejamento de médio e longo prazo, projetos de maior qualidade. Com isso tudo, nós teríamos não só nas obras da Copa, nas obras das Olímpiadas, todas as obras de infraestrutura maiores entregas à população brasileira".

População sem acesso
O procurador Fabiano de Moraes, do grupo de trabalho do Ministério Público que acompanha a inclusão das pessoas com deficiência, afirmou que o que se observou é que as obras de mobilidade visaram muito mais a ligação entre os centros de transporte como rodoviárias e aeroportos com as arenas do que o acesso da população local aos estádios.

Além de ter de superar a dificuldade de chegar aos locais dos jogos, a população terá ainda de enfrentar a falta de acessos a pessoas com deficiência. "O acesso às arenas é muito difícil. E a acessibilidade já é difícil para as pessoas que não têm nenhum tipo de deficiência, para as pessoas com deficiência vai ser muito mais difícil ver os jogos", destacou.

Ele afirmou que o Ministério Público terá grupos de plantão para atender as ocorrências durante os dias de jogos.

Reportagem – Vania Alves
Edição – Newton Araújo

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