Petrobras: ex-diretor Nestor Cerveró chega à Câmara para audiência
O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró chegou à Câmara para participar de audiência pública sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ele foi apontado pela presidente Dilma Rousseff como responsável pelo erro que levou o conselho de administração da estatal a aprovar a compra. Em 2006, o conselho era presidido por Dilma, então ministra-chefe da Casa Civil.
Antes de iniciar a reunião, Ceveró pediu aos parlamentares 50 minutos para explicar a operação de compra de Pasadena.
A aquisição da refinaria está sendo investigada pela Polícia Federal, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público, além de ser alvo de propostas de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso.
Cerveró saiu da Petrobras em 2008 e foi para a diretoria da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, de onde foi demitido em março de 2014, após a decisão do conselho de administração ser divulgada.
Mau negócio
Ontem, a presidente da Petrobras, Graça Foster, repetiu a versão de Dilma de que a aquisição de 50% das ações de Pasadena fora autorizada pelo conselho de administração, em 3 de fevereiro de 2006, com base em resumo executivo elaborado por Cerveró. Foster, que participou de audiência no Senado, reconheceu que a compra da refinaria “não foi, definitivamente, um bom negócio”.
O resumo, na versão de Graça Foster e de Dilma Rousseff, omitia qualquer referência às cláusulas Marlim e put option que integravam o contrato. A primeira garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras America Inc, rentabilidade mínima de 6,9% ao ano, mesmo com condições de mercado adversas. Já a put option – ou opção de venda – obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra em caso de conflito entre os sócios na condução do negócio.
Já o advogado de Cerveró disse, no início do mês, que o conselho de administração da estatal recebeu o contrato de compra, com as cláusulas marlim e put option, com antecedência de 15 dias à reunião que aprovou o negócio.