Relações exteriores

Parlasul poderá enviar observadores à Venezuela

Observatório da Democracia do Parlamento do Mercosul reúne-se no próximo dia 28 para decidir se os parlamentares irão à Venezuela apurar as denúncias contra o governo Nicolás Maduro.

08/04/2014 - 19:37  

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Reunião da mesa do Parlamento do Mercosul (Parlasul)
Parlamentares defendem a ida à Venezuela para averiguar as denúncias de violência e morte de dissidentes do governo local.

Reunido em Montevidéu, o Parlamento do Mercosul (Parlasul) reinstalou seu Observatório da Democracia, que fiscaliza as eleições nos países-membros do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Esses países deverão indicar seus representantes para que o Observatório se reúna no próximo dia 28. O primeiro ponto da pauta será a possível ida à Venezuela, para verificar denúncias contra o governo do presidente Nicolás Maduro, que é alvo de uma série de protestos, inclusive com mortes. A visita foi uma recomendação da Mesa Diretora do Parlasul.

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que deverá ser um dos indicados do Brasil para integrar o Observatório, defendeu o envio da delegação. Segundo ele, trata-se de uma oportunidade de consolidar esse órgão do Parlasul, que deverá averiguar o funcionamento das instituições democráticas não apenas da Venezuela, mas de todos os países do Mercosul.

O parlamentar uruguaio Pablo Iturralde, do Partido Nacional, foi um dos que propuseram a ida do Observatório à Venezuela. “Queremos apenas saber o que está acontecendo lá, pois já passam de 40 mortos”, disse.

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Deputado Newton Lima na reunião do Parlasul
Lima: Representação Brasileira vai se informar sobre a mediação da Unasul no diálogo entre oposição e governo na Venezuela.

A parlamentar governista Blanca Eekhout, do Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), foi contra a proposta. “O Plano de desestabilização econômica e o ataque à fronteira da Venezuela são uma prática à qual estão submetidos também o Brasil e a Argentina. São planos de desestabilização econômica, política e social, que culminam em violência terrorista”, disse.

Negociações
O presidente da Representação Brasileira no Parlasul, deputado Newton Lima (PT-SP), informou que os integrantes desse colegiado vão se reunir nesta quarta-feira (9) com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, para tomar conhecimento de como se encontram as negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul, assim como a mediação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) no diálogo entre oposição e governo na Venezuela.

“Nós vamos conhecer o que a Unasul, por decisão dos presidentes dos países, já caminhou em relação às questões da Venezuela. A construção do diálogo entre oposição e governo é fundamental”, disse.

Comissões
As dez comissões permanentes do Parlasul foram instaladas na segunda-feira, e o Brasil comandará duas delas: a de Emprego e Renda, presidida pelo deputado Vieira da Cunha (PDT-RS), e a de Habitação, Saúde e Desenvolvimento Regional, presidida pelo deputado João Ananias (PCdoB-CE).

A Comissão de Direitos Humanos aprovou um cronograma de audiências públicas nos países do Parlasul, para a elaboração do seu relatório anual, previsto para novembro. As audiências começam pela Argentina (abril), seguida do Brasil (maio), Paraguai (julho), Uruguai (setembro) e Venezuela (outubro).

Reportagem - Rafael Reis, de Montevidéu

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