Economia

Setor industrial brasileiro está em transição, diz Fernando Pimentel

Ministro diz que o emprego formal na indústria está crescendo, mas ressalta que o Brasil sempre terá participação mais baixa no comércio internacional porque é um grande fornecedor de produtos agrícolas e minerais.

18/09/2013 - 15:20   •   Atualizado em 18/09/2013 - 17:47

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e de Viação e Transportes (CVT) debate a redução da Participação da Indústria no PIB. Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel
Pimentel disse que a indústria brasileira está crescendo e que o Brasil tem vocação agrícola.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, disse, hoje na Câmara, que o Brasil não está se desindustralizando; mas em transição para um setor industrial que requer capital intensivo e alto conteúdo tecnológico.

Segundo ele, um indicador de que a indústria está ativa no País é o aumento do emprego formal industrial de 4,9 milhões de postos, em 2001, para 8,1 milhões hoje. Fernando Pimentel disse ainda que a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) está em torno de 13% enquanto países como o Reino Unido tem 10%.

O deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP) citou dados de relatório do Fórum Econômico Mundial que mostram a baixa participação do Brasil no comércio internacional. "O Brasil está em 148º e último lugar, são 148 países analisados, na questão de exportações, e o 145º na questão de importações. Ou seja, nós estamos muito pouco integrados ao grande mercado mundial que está se formando."

Para Fernando Pimentel, no entanto, o Brasil sempre terá uma participação mais baixa. "Nós não somos a Coreia. Eu acredito que não [vamos ser]. O Brasil tem um perfil econômico muito diferente da economia coreana. Nós sempre seremos um grande fornecedor de produtos agrícolas e de recursos minerais para o mundo inteiro. Isso não é demérito nenhum.”

Na opinião do ministro, o Brasil está construindo um modelo de país aberto, “mas possivelmente com um grau de inserção comercial no mundo um pouco abaixo, um pouco menos do que a média desses países emergentes que o índice cita."

Empréstimo para Cuba
Pimentel participou de audiência sobre a redução da participação da indústria brasileira no PIB, promovida pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Viação e Transportes.

Arquivo - Leonardo Prado
Emanuel Fernandes
Fernandes questionou o ministro sobre o empréstimo do Brasil para Cuba modernizar o aeroporto de Havana.

Durante o debate, o ministro adiantou que o governo vai lançar amanhã a terceira fase do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) mais voltado para as necessidades da indústria e comentou o empréstimo de 176 milhões de dólares que está sendo feito para Cuba. Em resposta ao deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), Pimentel explicou que o dinheiro será usado para modernizar o aeroporto de Havana e afirmou que existem garantias para o empréstimo.

Reforma tributária

Segundo o ministro, boa parte das preocupações dos deputados em relação à competitividade da indústria poderia ser resolvida se o País avançasse na construção de um consenso sobre a reforma tributária, principalmente do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual.

Questionado pela imprensa ao final da audiência, Fernando Pimentel disse que o governo poderá rever para baixo as tarifas de importação da lista de exceções do Brasil à Tarifa Externa Comum do Mercosul por causa da alta do dólar. A lista contém cerca de cem produtos que têm tarifas diferenciadas em relação ao bloco. Essa revisão é feita de 6 em 6 meses e a próxima será em janeiro.

Reportagem - Silvia Mugnatto
Edição – Natalia Doederlein

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