Relações exteriores

Pressões políticas impediram senador boliviano de comparecer a audiência, diz deputado

Senador oposicionista boliviano que fugiu para o Brasil pediu adiamento da audiência conjunta prevista para esta terça.

03/09/2013 - 19:33   •   Atualizado em 03/09/2013 - 19:35

Arquivo/ Leonardo Prado
Otavio Leite
Otávio Leite: não tenho dúvidas de que Molina sofreu sérias pressões.

O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), acredita que pressões políticas impediram o comparecimento do senador boliviano asilado no Brasil, Roger Molina, na audiência pública marcada para esta terça-feira. A audiência também tinha a participação da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

"Eu não tenho dúvida que ele sofreu sérias pressões”, afirmou Otávio Leite. “Há uma questão política séria. O Brasil precisa enfrentar melhor a sua relação com os parceiros internacionais, sobretudo com a Bolívia."

O deputado Otávio Leite chegou à Câmara acompanhado do advogado de Roger Molina, Fernando Tibúrcio. Ele leu nota do senador pedindo o adiamento da audiência e garantindo que em breve será realizada uma entrevista coletiva à imprensa. "O senador manifesta seu profundo respeito a seus pares, deputados e senadores brasileiros, e reitera que estará sempre à disposição do Congresso Nacional brasileiro."

Regularização da situação

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Deputado boliviano, Adrian Steban Oliva Alcazar (foto) fala sobre fuga do senador boliviano Róger Pinto Molina
Adrián Oliva: senador Molina não quer se expor antes que sua situação seja regularizada no Brasil.

Mais cedo no Senado, o líder da oposição na Câmara de Deputados boliviana, Adrián Oliva, afirmou que o senador não quer se expor antes que sua situação esteja regularizada no Brasil. "É mais importante a sua vida como ser humano. E, neste sentido, sua presença no Brasil é fundamental."

Adrián Oliva explicou que, quando o senador Molina pediu asilo na embaixada brasileira, em 28 de maio do ano passado, "o asilo foi concedido pelo governo brasileiro em seis dias, mas o governo boliviano se negava a outorgar o salvo conduto para saída do país."

Ele acrescentou que as acusações contra Molina começaram quando o senador denunciou o suposto envolvimento do governo de Evo Morales com o narcotráfico, além de violações dos direitos humanos e denúncias de corrupção.

Segundo a nota lida pelo advogado Fernando Tibúrcio, o senador Molina deve conceder entrevista coletiva na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Brasília ou na seccional da Ordem em Goiás.

“Autoridades no narcotráfico”
Alegando perseguição política em razão das denúncias de envolvimento de autoridades bolivianas com o narcotráfico e o crime organizado, o senador boliviano se refugiou na Embaixada do Brasil em La Paz. Logo em seguida, foi condenado a um ano de prisão na Bolívia, por suposto envolvimento em corrupção.

Roger Pinto ficou na embaixada por 455 dias, sem obter um salvo-conduto para sair e viajar até o Brasil, onde havia obtido asilo político. No mês passado, ele fugiu com a ajuda do diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que usou sua imunidade diplomática para transportá-lo em um carro da representação brasileira por mais de 1,6 mil quilômetros, entre La Paz e a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia.

Em seguida, Pinto viajou para Brasília em um avião de um amigo do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. O caso provocou a saída do diplomata Antonio Patriota do Ministério das Relações Exteriores, que foi substituído por Luiz Alberto Figueiredo.

O senador Roger Molina esteve asilado na Embaixada do Brasil na Bolívia durante 15 meses e agora está em um local desconhecido em Goiás. Ele era líder da oposição no Senado e responde a vinte processos na justiça boliviana, além de uma condenação por desvio de recursos públicos.

Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Newton Araújo

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