Comissão debate no Pará o baixo IDH do arquipélago do Marajó
Baixa densidade demográfica e dificuldade de acesso às escolas são alguns dos problemas na região.
02/09/2013 - 08:41

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia promove debate hoje, a partir das 14 horas, na Assembleia Legislativa do Pará, para debater soluções para o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do arquipélago do Marajó.
O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), que propôs o debate, explicou que o município paraense de Melgaço, situado em Marajó, ficou na pior posição do ranking de IDH do País no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, com um índice de 0,418 num intervalo que vai de 0 a 1. O índice abaixo de 0,499 é considerado muito baixo. O Pará tem mais sete municípios nessa condição.
Educação deficiente
O que esses municípios têm em comum, analisa Jordy, é um histórico de baixo desempenho na educação, apesar de o estudo ter apontado uma melhora, principalmente nos anos finais do ensino fundamental. “No caso de Melgaço, metade da população é analfabeta, o que não difere muito do cenário dos demais municípios”, diz ele.
O deputado cita uma entrevista recente de Agenor Sarraf, professor da Universidade Federal do Pará. Sarraf, que nasceu em Melgaço e já foi secretário municipal de Educação, considera que a falta de recursos condena o município a um círculo vicioso.
Soma-se a isso a baixa densidade demográfica e o fato de mais de 85% da população estar em área rural, o que dificulta o acesso do Poder Público à comunidade. Isso torna necessária uma estrutura de barcos para poder reunir os alunos na escola. São circunstâncias que fazem com que muitas crianças não consigam frequentar a sala de aula.
Mudanças necessárias
Arnaldo Jordy considera que não há justificativa para perpetuar essa situação. Ele lembra que, na média brasileira, o Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDH-M) teve uma melhora de quase 50% nos últimos vinte anos.
O deputado cobra “a implantação com a maior brevidade do Plano de Desenvolvimento do Marajó, anunciado pelo governo federal, que ainda não saiu do papel e está em discussão desde 2008”. O deputado entende que o plano “poderia mudar os indicadores da região e propiciar melhoria de vida para a população marajoara”.
Participações
Foram convidados para o debate:
- a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello;
- o secretário especial de Promoção Social do Pará, Alex Fiúza de Melo;
- o bispo da Prelazia do Marajó, Dom José Luiz Azcona;
- o representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Arnaud Pereal;
- o prefeito de Melgaço, Adiel Moura; e
- a presidente da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), Consuelo Castro.
Da Redação/DC