Especialista cobra agenda para aumentar competitividade da economia
14/08/2013 - 17:28
O vice-presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Marcos Lisboa, cobrou o desenvolvimento de uma "agenda de normatização" para aumentar a competitividade da economia brasileira.
Segundo ele, que foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no Governo Lula, o País carece de maior clareza sobre o papel das agências reguladoras e dos órgãos públicos para ampliar a capacidade de investimento da economia baseada em medidas que abranjam todos os setores, e não só grupos específicos.
Lisboa participa de seminário sobre a política macroeconômica brasileira, promovido pelo PMDB, no Plenário 2 da Câmara. No debate, o economista também criticou as desonerações fiscais, que hoje chegam a cerca de 5% do PIB. Para Lisboa, a prática “cria agentes que impedem sua remoção [desonerações] e grupos de interesses que não sobrevivem sem o benefício".
Dependência do mercado externo
Outro economista que participa do seminário, Mansueto Almeida, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), também alertou para a queda na produtividade brasileira, que aumentaria a dependência do País do mercado externo. "Houve um crescimento forte das vendas internas que deixou de ser acompanhado pela produção industrial com a crise de 2008. A importação de manufaturados cresceu; é caro produzir no Brasil", sustentou.
Para ele, outro indicativo dessa dependência externa foi a queda da poupança interna. "Todos os países do mundo que tiveram processo de crescimento aumentaram sua poupança. A taxa brasileira não aumentou e, agora, o País está diferente, pois a população cresce menos e faltarão jovens para trabalhar", alertou. "A tendência é a poupança diminuir nos próximos 10, 15 anos. Vamos precisar ainda mais do resto do mundo para crescer", destacou.
Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição - Marcelo Oliveira