Direitos Humanos

Debatedores contestam maior tempo de internação para adolescentes

Representantes do Judiciário que participaram de seminário no Rio de Janeiro, promovido pela comissão especial que analisa mudanças no ECA, manifestaram-se contra propostas em tramitação que aumentam período que adolescentes em conflito com a lei podem cumprir medida socioeducativa.

17/07/2013 - 17:30   •   Atualizado em 17/07/2013 - 19:08

Arquivo/ Gustavo Lima
Liliam Sá
Liliam Sá: precisamos acabar com a lotação desse sistema.

Em seminário realizado no Rio de Janeiro, na segunda-feira (15), representantes de órgãos do Judiciário manifestaram-se contra os projetos em tramitação no Congresso que pretendem aumentar o tempo máximo de internação de adolescentes infratores. Hoje, adolescentes que cometem infrações não podem passar mais de três anos em unidades de internação.

O seminário foi realizado pela comissão especial da Câmara que analisa mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8069/90). As modificações estão previstas em 19 projetos que tramitam em conjunto (PL 7197/02 e outros 18 apensados). Participaram do evento o presidente da comissão, deputado Vieira da Cunha (PDT-RS); o relator, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP); e a deputada Liliam Sá (PSD-RJ).

Liliam Sá disse também ser contra o aumento do tempo de internação dos menores infratores. “Temos que pensar muito em relação a isso. Precisamos investir no sistema socioeducativo e acabar com superlotação dentro desses sistemas, que também é violação de direitos humanos. Ali acontece abuso sexual e chegam drogas para essas crianças e adolescentes. Políticas públicas têm que ser eficazes no combate ao tráfico de drogas”, afirmou.

Visitas
Integrantes da comissão especial visitaram duas casas de internação de adolescentes em conflito com a lei no Rio de Janeiro: o Educandário Santo Expedito, em Bangu, e o Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, na Ilha do Governador.

Durante a visita, o subdiretor do Departamento Geral de Ações Socioeducativas, Roberto Bassan, explicou que o departamento está vinculado à Secretaria de Educação e existem escolas estaduais dentro das duas casas. Os adolescentes não são obrigados a comparecer às aulas, mas muitos preferem estudar para ter mais oportunidades na vida.

A vinculação das unidades de internação de adolescentes à Secretaria de Educação do Rio de Janeiro difere de outros estados, que, em sua maioria, têm as unidades de atendimento socioeducativo ligadas à assistência social ou aos direitos humanos. Para Liliam Sá, proporcionar educação de qualidade é importante para evitar a reincidência nas infrações.

“Estamos ouvindo em todos os lugares que educação é fundamental. Temos que combater a evasão escolar e ter uma educação de qualidade. Temos que investir na criança desde o ventre materno, porque, senão, vamos construir cadeias, cadeias, cadeias e não avançar em nada”, avaliou,

O seminário no Rio de Janeiro foi o segundo realizado pela comissão especial que analisa mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente. O primeiro ocorreu em Porto Alegre.

Reportagem - Renata Tôrres
Edição - Rachel Librelon

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