Relações exteriores

Patriota: esclarecimentos dos Estados Unidos não foram suficientes

10/07/2013 - 18:37  

O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, disse que o governo do Brasil não ficou satisfeito com as informações prestadas até agora pelo governo norte-americano. “Por isso criamos a comissão técnica que vai se dedicar a esse caso”, explicou, reiterando que o País deve recorrer à ONU em relação à denúncia de espionagem.

Patriota participou de reunião conjunta das Comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado, juntamente com ministro de Defesa, Celso Amorim; e o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, José Elito.

Mais cedo, a presidente da República anunciou uma série de medidas em reação às denuncias de espionagem, incluindo a criação de um grupo interministerial, um inquérito da polícia federal, entre outras.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) disse que a investigação precisa ir a fundo. “Precisamos obter esclarecimentos e saber quem foi monitorado, por quanto tempo e como. Não podemos ficar só no protesto”, destacou.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) defendeu mais rigor com empresas estrangeiras que atuam no setor de defesa nacional. “Se precisarmos, vamos parar com algumas parcerias. Do jeito que está, está solto”, criticou. A deputada sugeriu que o requerimento para a criação de uma CPI sobre as denúncias de espionagem, apresentado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), seja transformado em requerimento de CPI Mista para que deputados também possam assinar.

Já o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pediu cautela na análise desse caso. “Aqui no Brasil estamos atrasados. Esse assunto ficou em segundo plano ao longo dos anos”, lamentou. Ele lembrou que ainda há lacunas na legislação na questão dos crimes cibernéticos. “O Brasil tem sido omisso nessa questão, os recursos são poucos, aprovamos leis com atraso”, acrescentou, lembrando que o Brasil não aderiu à convenção de Budapeste, sobre crimes cibernéticos, assinada por 60 países.

Inteligência
Perpétua Almeida ainda lamentou que a Comissão Mista de Inteligência do Congresso não funcione a contento. "Acho que a gente precisa aproveitar esse fato para mudar isso. Me preocupa que não tenhamos uma contra inteligência”, afirmou. Segundo ele, enquanto presidiu o colegiado no ano passado sequer conseguiu aprovar o regimento da comissão.

Reportagem – Georgia Moraes
Edição – Rachel Librelon

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