Meio ambiente e energia

A cultura de grãos depende de agrotóxicos, diz Embrapa

04/07/2013 - 15:26  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre para discutir a mortandade disseminada das abelhas devido ao uso de agrotóxicos. Chefe-geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa, Alexandre José Cattelan
Cattelan: não é apenas o uso de pesticidas que leva ao enfraquecimento das abelhas.

Na audiência sobre o uso de agrotóxicos e a mortalidade de abelhas realizada nesta quinta-feira (4), o chefe-geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa, Alexandre José Cattelan, ressaltou que não há como prescindir do uso de agrotóxicos na cultura do grão. “O percevejo é uma das principais pragas que atacam a cultura de soja e 27% do controle no Brasil é por aplicação aérea. O não controle do percevejo implica em uma redução média de 20% na produtividade”, observou Cattelan.

Ele lembrou que uma conjunção de fatores leva ao enfraquecimento das abelhas e do seu sistema imunológico, não apenas o uso de pesticidas. O argumento foi reforçado pela diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), Silvia de Toledo Fagnani Ligabó.

Ela disse que não se devem comparar as abelhas brasileiras às da Europa ou dos Estados Unidos, onde a mortalidade é alta, pois as espécies estariam sujeitas a diferentes fatores, como clima, alimentação e vulnerabilidade a ácaros e fungos. “A abelha brasileira, africanizada (híbrida), é mais resistente que a europeia, que é pura”, declarou.

Ela também ressaltou a importância dos agrotóxicos para a agricultura brasileira. “O Brasil produz hoje 166 milhões de toneladas de grãos em 55 milhões de hectares. Se os índices de produtividade fossem os mesmos de 1972, seriam necessários 155 milhões de hectares”, comparou.

Silvia reconheceu, no entanto, a importância dos polinizadores, cuja falta pode gerar perdas de 10% na agricultura. Segundo ela, a indústria de defensivos tem trabalhado em alternativas de manejo para mitigar o risco e atualizado materiais educativos destinados a apicultores e agricultores.

Alternativas
Apesar de reconhecer que a culpa pela mortalidade de abelhas não é do agricultor, o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Brandão Cavalcanti, recomendou eliminação dos produtos mais tóxicos já proibidos por outros países, o desenvolvimento de tecnologias de aplicação e o investimento na pesquisa de técnicas alternativas.

Em todo o mundo, 87,5% das espécies de plantas com flores conhecidas dependem de polinizadores, entre insetos, pássaros e mamíferos. Entre as culturas para alimentação humana, 75% delas dependem desses animais para produzir frutos e sementes, como caju, pimentão, morango, tomate e girassol. O trabalho dos polinizadores é avaliado em 153 bilhões de euros (R$ 425 bilhões) por ano.

Proteção
O deputado Antônio Roberto (PV-MG) lembrou que está pronto para análise do Plenário o Projeto de Lei 1634/07, que prevê proteção especial às abelhas polinizadoras. A proposta obriga os apicultores a fornecer informações para um banco de dados sobre a dinâmica populacional dessas abelhas, que, por meio da polinização, garantem a reprodução de várias plantas. Roberto foi relator da proposta na Comissão de Meio Ambiente.

O colegiado aprovou ainda na quarta-feira (3) proposta que obriga empresas de aviação agrícola a enviar aos órgãos responsáveis pela agricultura e pela proteção do meio ambiente da União e dos estados e do Distrito Federal, cópias das receitas agronômicas utilizadas na compra e na aplicação de agrotóxicos. A medida está prevista no Projeto de Lei 3615/12.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Rachel Librelon

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