Política e Administração Pública

Oposição volta a criticar plebiscito sobre reforma política

Líder do DEM afirma que a proposta do governo é uma farsa e não prioriza as verdadeiras demandas da sociedade; líderes da base aliada no Congresso se reuniram com a presidente Dilma Rousseff na quinta-feira e apoiaram o plebiscito.

28/06/2013 - 13:13  

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Dep. Ronaldo Caiado (DEM-GO) fala sobre o plebicito
Ronaldo Caiado afirmou que a oposição tem uma proposta "em total sintonia com as demandas das ruas" para apresentar à presidente.

O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), voltou a criticar a intenção do governo de realizar um plebiscito sobre a reforma política. A forma de consulta à população recebeu apoio de líderes da base aliada no Congresso que participaram de reunião com a presidente Dilma Rousseff na noite desta quinta-feira (27). Outras formas de consulta – como o referendo, convocado depois que uma norma é aprovada – foram descartadas.

Na avaliação de Caiado, um plebiscito sobre o assunto apenas desviaria a atenção da população de outros temas. “Não podemos admitir essa farsa que está sendo montada com o objetivo de enganar a sociedade brasileira e não priorizar as verdadeiras demandas na área da saúde, da educação, da segurança, do combate à corrupção e à inflação”, afirmou o deputado.

Caiado ressaltou não ser contrário à consulta nem à reforma política, tendo ele mesmo sido relator do assunto na Câmara. Ele acredita, no entanto, que o plebiscito seria bastante complexo, por envolver diversas possibilidades referentes ao sistema eleitoral, como o financiamento público de campanha ou a lista partidária de candidatos.

“Seria um plebiscito se começássemos perguntando se a população brasileira deseja antecipar as eleições, se concorda com a reeleição. Agora, você perguntar à sociedade sem que haja um projeto elaborado, sem que as pessoas saibam realmente o que está escrito, isso é uma farsa, é uma enganação”, criticou.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Dep. José Guimarães (PT-CE) fala sobre o plebicito
José Guimarães disse que a base aliada também está unida em defesa dos pactos nas áreas de saúde, educação e transporte.

O líder do PT, deputado José Guimarães (CE), confirmou que a base está empenhada em viabilizar a consulta popular, mas ressaltou que o apoio dos parlamentares diz respeito a vários outros assuntos. “Estamos unidos em defesa dos pactos que a presidente apresentou ao País. Já estamos trabalhando para viabilizá-los, tanto na área da saúde, da educação e dos transportes públicos como na reforma política”, observou.

Detalhes
A data do plebiscito, as questões e a entrada em vigor das mudanças ainda não foram debatidas e serão definidas pelos parlamentares. Segundo a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o plebiscito mostra-se fundamental porque ouvirá primeiramente os anseios da população, para que o Congresso elabore as novas regras em cima desses anseios.

“O que vai constar, o tempo que vai levar para ser feito e quando vai valer serão definidos com as bancadas. Uma série de fatores será levada às bancadas. Vai ser necessário costurar acordos”, observou o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), após participar da reunião com Dilma.

A presidente deve reunir os ministros do governo e receber a oposição na segunda-feira (1°) para discutir a proposta. A ideia do governo é enviar uma mensagem ao Congresso com a sugestão do plebiscito até terça-feira (2).

Caiado disse que aceitará conversar com Dilma Rousseff sobre as propostas para contornar a crise caso ela o convide, o que ainda não ocorreu, segundo o deputado. “Se formos chamados (os parlamentares da oposição), nós aceitaremos o convite, mas depois de reunirmos as nossas executivas, elaborarmos um plano e uma proposta para a crise, e não ouvirmos apenas a proposta da presidente.”

Segundo o líder, a oposição tem uma proposta “consistente, em total sintonia com as demandas da rua”. A sociedade, disse, deseja hospitais e escolas no padrão Fifa. Em termos práticos, os oposicionistas poderão propor uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar os gastos do governo com a Copa do Mundo de 2014, entre outros pontos.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcos Rossi
Com informações da Agência Brasil

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