Política e Administração Pública

Momento é de interpretar as manifestações, segundo André Vargas

18/06/2013 - 11:57  

Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados
Manifestantes fazem protesto em frente ao Congresso Nacional, em apoio às manifestações em São Paulo
Manifestantes ocuparam as marquises do Congresso na noite desta segunda.

O presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), disse há pouco que o momento é de buscar compreender e interpretar as manifestações ocorridas nesta segunda-feira (17) em várias capitais que reuniram mais de 200 mil pessoas.

O presidente Henrique Eduardo Alves está em viagem oficial para a Rússia e deve voltar no final da semana.

“A questão [atual é] de entendermos esse movimento que é legítimo, democrático, expressão de uma parte da juventude, que quer se fazer ouvir e tem uma pauta, ainda que não seja organizada, com alta legitimidade nos pleitos como mais segurança, saúde, melhor transporte coletivo, questões ligadas à Copa, direitos humanos e questões internacionais”, afirmou o parlamentar.

Vargas avaliou ainda que o Legislativo deve melhorar o canal de comunicação em especial com os jovens, maioria no manifesto em Brasília. “Precisamos melhorar o canal comunicação que não é mais o tradicional com esse segmento da população.”

Segundo ele, o dia de hoje será de reuniões para buscar compreender os manifestos. Vargas também elogiou a atuação “exemplar” da Polícia Militar do Distrito Federal durante as manifestações de ontem.

Mensagem democrática
A presidente Dilma Rousseff também comentou os protestos, durante solenidade do novo marco da mineração. “Essas vozes precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam os mecanismos tradicionais e deram uma mensagem direta por mais cidadania, melhores escolas, melhores postos de saúde. Essa mensagem direta das ruas comprova o valor intrínseco da democracia”, afirmou a presidente.

Dilma também condenou os atos de violência contra pessoas e patrimônio público e privado. “Sabemos que toda violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência. Não podemos aceitar conviver com ela”, afirmou. Segundo ela, os atos de violência e vandalismo não ofuscam o “clamor das ruas” manifestado nesta segunda-feira (17).

Para a presidente, as exigências da população refletem uma mudança nos padrões sociais com ampliação da classe média, do emprego e da educação. “Porque demos acesso à educação, surgiram cidadãos que querem mais”, disse.

Nova forma de protesto
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, também comentou o assunto em audiência nesta manhã no Senado. Segundo ele, é preciso ter humildade para tentar entender o que está acontecendo e qual o propósito dos manifestantes.

“Sem dúvida nenhuma, temos que ter a clareza de que são novas formas de mobilização que não conhecíamos antes. Estamos acostumados com carro de som e lideranças com quem negociar. Agora eles mesmos disseram que não têm comando único”, comparou.

Para Gilberto Carvalho, a multiplicidade das expressões torna mais complexos os movimentos. “Em relação ao conteúdo, temos que estar atentos para entender o porquê de uma adesão tão ampla e massiva.”

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Natalia Doederlein

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