Deputados divergem sobre permanência de Feliciano em comissão
26/03/2013 - 21:52
A situação do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, mas com forte rejeição por parte de manifestantes que impedem suas reuniões, divide também a opinião dos parlamentares. Na sessão do Plenário desta terça-feira (26), diversos deputados se manifestaram a favor e contra a permanência de Feliciano no cargo.

Para o deputado Pastor Eurico (PSB-PE), a reação a Feliciano é uma discriminação pelo fato de ele ser pastor evangélico. “Evangélicos estão sendo discriminados por líderes políticos, que estão querendo linchar a pessoa do deputado Marco Feliciano.”
O deputado Marcon (PT-RS) respondeu que essa não é uma briga de religião, como querem fazer crer alguns deputados da bancada evangélica. Para ele, a disputa é sobre o conceito de direitos humanos. “Eu sou católico, e sempre respeitei as outras religiões, estamos falando sobre as posições do deputado, que são contrárias ao que defende a comissão”, disse.
Conduta
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) avalia que a crise que se instaurou na comissão é mais profunda e não vem de uma questão religiosa, de uma disputa por espaço político nem de restrição à liberdade de expressão. “Até porque vi manifestações de centenas de pastores contra o deputado, trata-se da postura do deputado à frente da comissão."
Para o deputado Takayama (PSC-PR), que é pastor e correligionário de Feliciano, o deputado merece uma chance à frente da comissão. “Nenhum de nós aqui é perfeito. Se o deputado disse alguma coisa no passado, é preciso dar a ele outra chance”, afirmou Takayama.

Manifestações
O deputado Arolde de Oliveira (PSD-RJ) acredita que a oposição a Feliciano seja feita por uma minoria entre os movimentos sociais, e é essa minoria que tem impedido os debates. “Com baderna e algazarra, uma minoria quer calar os parlamentares da comissão, fora disso é um ato político perfeito”, defendeu.
O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) discordou totalmente. Para ele, os movimentos sociais não podem ser tratados como se fossem “baderneiros”. “O povo tem direito de estar nessa Casa, e estão protestando contra um racista, homofóbico, misógino à frente da Comissão de Direitos Humanos”, disse.
Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli