Agropecuária

Deputados divergem sobre subsídios para usineiros no Nordeste

19/03/2013 - 21:29  

Embora todos os partidos tenham apoiado a MP da Seca (MP 587/12), houve um debate sobre a extensão da medida para usinas de produção de etanol. A medida original beneficiava agricultores familiares que tiveram problemas com a produção, e os deputados estenderam a medida para produtores independentes, pequenos e médios de cana-de-açúcar.

No final, ficaram de fora os usineiros, embora tenham sido defendidos pelo relator da MP, deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE). Para ele, R$ 0,40 por litro de etanol, como equalização de empréstimos, poderia manter a economia das empresas funcionando até que a quebra de safra seja superada. “Há uma interligação entre o que se produz e o que se comercializa”, disse.

O deputado Felipe Maia (DEM-RN) discordou dos argumentos do governo de que seriam gastos R$ 1,6 bilhão na subvenção. Ele disse que seriam investidos, no máximo, R$ 120 milhões. “Se queremos garantir essa cadeia produtiva, é preciso atender as indústrias”, disse.

Subvenção
O deputado Amauri Teixeira (PT-BA), no entanto, resumiu a opinião da bancada de apoio ao governo. “Não temos mais de subvencionar usineiros que estabelecem condições desfavoráveis. Os produtores tiveram prejuízos com a safra, mas também com o monopólio das aquisições, que está na mão dessas indústrias”, disse.

A safra está comprometida para esse ano e para o ano que vem, disse o deputado Arthur Lira (PP-AL), que aprovou tanto a MP quanto as mudanças feitas na Câmara. “Nunca houve comprometimento da safra da Zona da Mata, mas, nesse ano, até mesmo os rios dessa região secaram. Neste ano, teremos a maior entressafra. Cana, só no final de outubro”, disse.

“Nunca vi uma redução tamanha na produtividade da cana, como na presente safra”, concordou o deputado Júlio Cesar (PSD-PI). Já o deputado Almeida Lima (PPS-SE), embora reconheça a necessidade da MP, criticou o governo por não criar soluções permanentes. “Queremos ver medidas efetivas e não apenas paliativas para a situação no Nordeste”, disse.

Linha de crédito
Nas contas do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), o setor já teve recursos que somam R$ 9 bilhões em linhas de crédito do BNDES.

O líder da minoria, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), alertou que a cadeia produtiva inclui as empresas. Ele disse que não é possível que o apoio ao Nordeste se restrinja aos agricultores, sem incluir o parque industrial.

Chinaglia afirmou, no entanto, que não havia nenhuma garantia de que o incentivo ao usineiro seria repassado ao consumidor.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Pierre Triboli

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