Segurança

Responsável por site com menores não convence presidente de CPI

19/03/2013 - 16:56  

Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados
Audiência Pública
Reinaldo Arkeley (E) disse que pretendia divulgar a "beleza da mulher pantaneira".

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), não ficou convencido das explicações dadas, nesta terça-feira, pelo responsável pela página da internet "Garota Copa Pantanal 2014", Reinaldo Luís Akerley. Ele está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de Mato Grosso por divulgar fotos de menores em trajes de banho e posições sensuais. A página foi desativada.

Reinaldo afirmou que os vídeos colocados na internet não foram produzidos por ele, e algumas fotos foram tiradas pelas próprias participantes e divulgadas em redes sociais. Segundo ele, o Garota Copa Pantanal não era um concurso. Servia apenas para divulgar, por meio da camiseta, a beleza da mulher pantaneira.

Arnaldo Jordy acha que várias perguntas não foram respondidas. "Por exemplo, com que objetivo ele fazia essas atividades? Ele não consegue responder. Não era para fim social. Era apenas uma atividade que ele fazia, ele gostava de promover, fazer confraternização das pessoas. E se a gente comparar o depoimento dele com as fotos que tem no site, porque são fotos extremamente sensuais, com mulheres em poses que provavelmente são para começar uma carreira de modelo ou outro tipo de atividade para essas meninas, nós saímos com mais suspeita do que quando entramos aqui."

Agente penitenciário
Reinaldo Luís Arkeley é agente penitenciário em Mato Grosso, recebe salário de R$ 2.500 por mês e é com esse salário que custeia seus projetos, que já incluiu outros eventos anuais, como o Garota Panetone e o Festival de Sorvete, com apresentações de capoeira, dança e desfile.

Reinaldo não tem CNPJ e afirma usar o próprio CPF nos contratos que realiza sem fins lucrativos. Aos deputados da CPI, ele afirmou que, para participar da sessão de fotos, era obrigatória a formação de modelo e, no caso de menores, a autorização dos pais.

"As garotas que estão no site tinham autorização dos pais para divulgar o meu projeto”, disse Arkeley. “Ao contratar uma modelo, nós falamos: 'Olha, nós vamos tirar uma foto; podemos colocar no site? ’ No caso, se a garota quiser participar, tem que registrar em cartório a autorização para essa imagem ser divulgada no site. Se ela apresentar a autorização em cartório, a gente vai divulgar. Isso que aconteceu."

Reinaldo entregou à CPI documentos que comprovam essas autorizações. Ele colocou seu sigilo fiscal, bancário e telefônico à disposição na Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico de Pessoas.

Diligências em São Paulo
A CPI estará nesta quinta-feira (21) em São Paulo para ouvir oito mulheres traficadas e os donos da boate onde elas trabalhavam. Também serão ouvidas duas agenciadoras que trabalham no mercado de travestis, além de representantes da Portuguesa Santista, que foi condenada por tráfico de seres humanos.

Estão convidados para a audiência:
- presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deputado estadual Samuel Moreira;
- Superintendente da Polícia Federal de SP, Roberto Ciciliati Troncon Filho;
- Secretário de Segurança Pública do Estado de SP - Fernando Grella Vieira;
- Promotora de Justiça Maria Gabriela Ahualli Steinberg;
- Promotora de Justiça (Gaeco) - Eliana Vendramine;
- Movimento contra o tráfico de pessoas (MCTP) - Claudia Luna;
- Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de SP - Juliana Felicidade Armede;
- Psicóloga Especialista em Direitos Humanos Anália Belisa Ribeiro;
- Delegado de Polícia Civil Titular - Departamento de homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) - Cesar Camargo;
- Coordenadora da Comissão Permanente dos Conselhos Tutelares de São Paulo - Conselho Tutelar Santo Amaro - Rudneia Alves Arantes;
- Presidente da Associação Atlética Portuguesa - José Ciaglia;
- Ronildo Borges de Souza;
- Renata Gomes Nunes.

Também haverá uma audiência pública sobre denúncias de tráfico de pessoas. Na semana que vem a CPI vai ouvir o representante da construtora da usina de Belo Monte sobre a boate com prostitutas que funcionava dentro do canteiro de obras.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto/Rádio Câmara
Edição – Newton Araújo

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