Política e Administração Pública

Oposição quer explicações sobre denúncias; base desqualifica Valério

11/12/2012 - 20:53  

As denúncias feitas pelo empresário Marcos Valério, pivô do escândalo do mensalão, de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria dado aval ao esquema de empréstimos fraudulentos que abasteceram o esquema dominaram os debates do Plenário nesta terça-feira (11). A oposição cobrou explicações, enquanto o governo desqualificou as declarações de Valério.

O jornal O Estado de S. Paulo divulgou hoje o conteúdo de um depoimento prestado por Valério ao Ministério Público em setembro. No documento, o empresário, condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), disse que foi ameaçado por integrantes do PT e que o esquema financiou despesas pessoais do ex-presidente.

PSDB, PPS e DEM cobraram explicações. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), lembrou que o partido já apresentou uma representação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para investigar as novas denúncias de Valério. "Gurgel tem uma representação do PPS há mais de um mês, então é só pedir que seja feita a investigação", defendeu Bueno.

Beto Oliveira
Bruno Araújo
Bruno Araújo, líder do PSDB, avalia que depoimento deve ser divulgado.

Divulgação
Já o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), defendeu a divulgação do teor do depoimento de Marcos Valério divulgado pelo jornal. Segundo o deputado, não há motivos para que o documento tramite em sigilo judicial. "Queremos que o Ministério Público dê transparência e divida com o Brasil e com a imprensa as denúncias feitas por Marcos Valério. Não há nada do ponto de vista legal que proteja essas informações", avaliou. Bruno Araújo disse ainda que tentará aprovar um convite para que Valério venha ao Congresso falar das novas denúncias. "Se a maioria não permitir, que ele venha informalmente."

Para Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), líder da Minoria, “seria leviandade dizer que o presidente Lula é culpado, mas seria uma monstruosidade não investigar a fundo essa denúncia”. Vice-líder do DEM, Pauderney Avelino (AM) informou que o partido vai entrar com representação na Procuradoria-Geral da República para o aprofundamento das denúncias feitas por Marcos Valério. “Valério disse que Lula atuou a fim de obter dinheiro da Portugal Telecom para o PT e, ainda, que seus advogados [os de Valério] são pagos pelo PT, fatos não desmentidos pelos envolvidos, que, diante da denúncia, preferiram silenciar”, criticou.

Os governistas defenderam o ex-presidente Lula e desqualificaram Valério. O líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP), disse que as novas denúncias são um ato de "desespero”. "É uma pessoa desqualificada, que foi condenada, processada e vai ser presa", disse Tatto, para quem as denúncias buscam apenas "desconstruir o governo Lula". Segundo ele, não há indícios para que o ex-presidente seja investigado.

Cautela

Beto Oliveira
Arlindo Chinaglia
Para Chinaglia, depoimento de Marcos Valério pode ser estratégia para empresário receber proteção.

Já o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), lembrou que as denúncias não são novidade, pois já foram divulgadas em setembro. Segundo ele, à época, Roberto Gurgel disse que teria cautela diante das denúncias, que poderiam ser estratégia de defesa. "Eu não elimino essa hipótese. De repente, tocando em temas como ameaças, pode ser uma estratégia para entrar no rol de testemunhas que receberiam proteção e sequer ir preso”, analisou.

Tatto e Chinaglia minimizaram as tentativas da oposição de convocar o publicitário para vir à Câmara falar sobre as denúncias. "A oposição não tem projeto de País, tem dificuldade de se colocar como uma alternativa de poder e, por isso, só resta o denuncismo", disse. Tatto disse ainda que não há cabimento em trazer à Câmara um "delinquente".

O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) ressaltou que Marcos Valério também trabalhou para a campanha do PSDB de Minas Gerais em 1998 e, portanto, os oposicionistas querem adiar ao máximo a análise do processo do mensalão mineiro. O deputado Edson Santos (PT-RJ) denunciou a atuação de uma “ação golpista” para desmoralizar o ex-presidente Lula. “O DEM e o PPS têm de fazer por merecer a volta ao governo que tanto almejam, não por meio de ações de tapetão”, afirmou. Já o deputado Jesus Rodrigues (PT-PI) disse que a população não vai dar crédito às denúncias. “Acredito na lucidez da população para julgar essas denúncias. Há um uso abusivo delas”, avaliou.

Reportagem - Carol Siqueira
Edição – Maria Clarice Dias

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.


Mais conteúdo sobre