Ministro da Justiça vira à Câmara falar sobre Operação Porto Seguro
27/11/2012 - 18:39 • Atualizado em 27/11/2012 - 19:53

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, virá à Câmara para falar sobre a Operação Porto Seguro, que investiga o envolvimento de servidores do Executivo e de agências reguladoras em um esquema para obter pareceres técnicos fraudulentos que seriam vendidos a empresas interessadas.
O ministro participaria de audiência pública na manhã desta terça-feira (27), na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, para falar da crise em São Paulo, mas não compareceu. A reunião foi remarcada para a terça-feira da semana que vem (4).
"Como o ministro já viria, ele participará de uma nova reunião da Comissão de Segurança Pública para explicar a operação, sua dimensão e implicações", disse Chinaglia. Ele disse que o chefe da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, também poderá vir à Câmara, se for oportuno.
Demitidos
Chinaglia descartou a convocação de outros envolvidos no esquema, como a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha, demitida após a operação da Polícia Federal. "Quanto aos demais, é público e notório que há exagero em chamar pessoas que já foram demitidas", disse.
A oposição quer que Rosemary e os demais envolvidos venham à Câmara. O PPS pretende que a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle vote na reunião desta quarta-feira (28) um requerimento convidando três envolvidos na Operação Porto Seguro para prestar esclarecimentos.
A intenção é chamar Rosemary Noronha, o ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior e José Weber Holanda, ex-adjunto do advogado-geral da União.
"Eles precisam vir ao Congresso dar esclarecimentos, o que ainda não fizeram. São denúncias gravíssimas, o governo afastou as pessoas e não deu uma palavra sobre isso", disse o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).
Envolvimento com Lula
Bueno também cobrou a revelação das relações de Rosemary com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Chinaglia, no entanto, minimizou o envolvimento do ex-presidente. "Não vamos permitir tentativas de envolver indevidamente o presidente Lula", disse.
Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que o seu partido pretende chamar Rosemary para depor, de forma reservada, na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. "Numa sessão reservada, com tranquilidade, ela poderá contar a participação dela no esquema criminoso e contatos com o presidente Lula", disse Sampaio. Segundo ele, o escândalo afetou a "instituição Presidência".
Chinaglia, no entanto, disse que o governo fez a sua obrigação diante das investigações: afastou os envolvidos das agências, demitiu outros e vai rever os atos realizados pelas pessoas investigadas.
Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli