CPI constata que diminuíram pontos de prostituição infantojuvenil em PE

Os pontos críticos de prostituição infantojuvenil nas estradas de Pernambuco diminuíram de 34 em 2011 para 20 em 2012. Apesar da redução de locais onde era verificada a exploração sexual de crianças, uma das maiores dificuldades da Polícia Rodoviária Federal - e também uma das metas - é conscientizar os caminhoneiros para que não pratiquem esse crime. Outra dificuldade é a fiscalização do tráfico de crianças nas estradas do interior do estado.
Deputados da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes estiveram, nesta segunda-feira, na Superintendência da Polícia Rodoviária de Pernambuco, em Recife. É a segunda visita da CPI ao estado.
A relatora da comissão, deputada Liliam Sá (PSD-RJ), afirma que a situação das crianças que são prostituídas nas estradas de Pernambuco é a mesma da do restante do País. Ela questionou o superintendente da Polícia Rodoviária de Pernambuco, Walker Barbosa, sobre como o setor de inteligência do órgão atua para evitar que crianças e adolescentes sejam levadas de um estado para o outro para serem exploradas sexualmente.
"Eles falaram que é muito difícil a fiscalização dos ônibus intraestaduais porque, quando é naqueles pontos que são paradas obrigatórias, dá para eles fazerem inspeção”, relatou a parlamentar. “Mas quando o ônibus trafega pelo interior, ele para em pontos pinga-pinga, pegam um aqui, outro ali. Então isso faz com que as crianças saiam para outros estados."
Causas da prostituição
Liliam Sá afiram que as crianças são levadas à prostituição por diversos motivos. Algumas delas já vivem nas ruas: saíram de casa por terem sofrido maus tratos ou abuso sexual. Nessa situação, encontram alguém que lhes apresenta drogas e a possibilidade de se prostituírem para ganhar dinheiro. Em outros casos, mães e pais levam as crianças à prostituição.
"Mas existem aquelas que estão dentro de casas ou apartamentos alugados, nas quais recebem boa alimentação e tem um cafetão ou uma cafetina por trás disso, que atende telefone e já leva aquela criança ou aquele adolescente encomendado para a prática da prostituição”, explicou a deputada. “Esses grupos são mais difíceis de a gente detectar. Isso aí é só por meio do Disque Denúncia ou de uma investigação mais apurada que nós vamos chegar a essas redes."
Qualquer pessoa pode denunciar a exploração sexual de crianças e adolescentes discando gratuitamente o número 100 de qualquer lugar do País. A CPI também recebe denúncias pelo telefone 0800-619619.