Apolo tem sigilo quebrado pela CPI dos Combustíveis
14/10/2003 - 22:23
A CPI dos Combustíveis aprovou hoje a quebra dos sigilos bancário e fiscal, de 1996 até hoje, da Apolo Petróleo Ltda, da sócia majoritária da empresa, Carolina de Medeiros Mariano da Silva, de Joaquim Mariano (pai de Carolina) e da sócia minoritária Eliane Kotaki. Eles também foram convocados, juntamente com o advogado da empresa, Alexandre Magno, a depor novamente na CPI na quinta-feira, às 11 horas. Os deputados também decidiram criar uma força-tarefa para colher mais dados sobre a empresa.
A sócia majoritária da Apolo, Carolina de Medeiros Mariano da Silva, depôs hoje na comissão e informou que a empresa vende uma média de quatro mil toneladas de solvente por mês.
AUTORIZAÇÃO SUSPENSA
Ela explicou que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) suspendeu a autorização da empresa para a venda desse produto em 1999, mas um mandado de segurança garantiu a continuidade das operações. Carolina declarou que a decisão da ANP foi baseada em falsa denúncia de que a mercadoria transportada por um caminhão da Apolo, apreendido em Minas Gerais, estaria sendo desviada do destino. “Foi uma decisão injusta”, disse.
A empresária admitiu que seu irmão Luciano Mariano possui uma rede de postos de combustível, mas negou que comercialize solventes de sua empresa para aqueles postos.
De acordo com o deputado Eduardo Cunha (PT-RJ), a Apolo Petróleo foi autuada em 2002 por ter comprado R$ 20 milhões em solventes da Petroquímica União que não teriam sido declarados.
COSAN INDÚSTRIA
A CPI dos Combustíveis também ouviu o proprietário da Cosan Indústria e Comércio, Rubens Ometto Silveira de Mello, cuja empresa produz anualmente 1 bilhão de litros de álcool por ano.
O depoente não quis comentar a declaração do presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, que na semana passada afirmou à comissão que a sonegação de impostos atingiria 35% de todo o volume de álcool vendido no País.
Questionado por deputados, Ometto disse não recordar de ter sido autuado pela Agência Nacional de Petróleo. Sobre a existência de autuações tributárias contra sua empresa, ele admitiu que pode haver alguma, mas afirmou que tudo não passa de “uma questão de interpretação”.
ARI NATALINO
O depoimento do proprietário do grupo Petroforte, Ari Natalino da Silva, suspeito de ser um dos maiores adulteradores de combustíveis no País, foi adiado para esta quarta-feira, atendendo a solicitação, via fax, do advogado do depoente.
COERÇÃO
O presidente da CPI dos Combustíveis, deputado Carlos Santana (PT-RJ), determinou à assessoria jurídica da comissão que acione a Polícia Federal para trazer coercitivamente para depor o proprietário da empresa Golfo, Dirceu Antonio de Oliveira Júnior. A reunião poderá ser realizada amanhã, às 19 horas.
O depoimento de Dirceu estava previsto para hoje, mas ele encaminhou documento à CPI alegando já ter sido inquirido “vigorosamente” pelos parlamentares no último dia 25 de setembro. O empresário é investigado por suspeita de adulteração de combustível.
Reportagem – Alexandre Pôrto
Edição – Luciana César
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