Política e Administração Pública

Leréia concorda com quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico

09/10/2012 - 18:28  

O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) aceitou há pouco ter os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. “Todos os sigilos que a CPMI necessitar. O que quiserem está à disposição”, respondeu, ao ser questionado pelo senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP).

Leréia disse ter usado o celular Nextel de Cachoeira uma única vez, em uma viagem para a Disney com a família no final da década de 1990 e depois devolveu o aparelho para o contraventor. O aparelho teria sido usado pela filha de Leréia para conversar sem pagar com o pai, a mãe e a avó nos parques da Disney. “Tenho cinco aparelhos por questão de economia, pois funcionam como rádio e não como celular. Posso falar 24 horas se eu quiser. Depois que voltei de viagem, devolvi para ele”, relatou.

As denúncias da Polícia Federal apontam a existência do chamado “clube do Nextel”, formado por integrantes da organização, que usavam rádios na tentativa de evitar grampos. As investigações apontam para a existência de 45 aparelhos usados pelo grupo.

Avião
O parlamentar negou ter um avião em comum com Cachoeira, como havia sido divulgado pela imprensa. Segundo Leréia, ele comprou uma fração de um aparelho por 270 mil dólares para “evitar pedir avião para empreiteiro”, já que sua base eleitoral fica a 500 km de Goiânia. “Não sei se Carlinhos ou o irmão dele comprou uma parte dos outros dois sócios”, disse.

Cartão
Em resposta ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR), Leréia disse que usou um cartão de crédito de Cachoeira para poder comprar créditos para aplicativos para um computador do tipo tablet. “Um dia comprei o iPad e cem dólares de crédito. Como o Carlinhos é muito inteirado nessas coisas de joguinhos, ele passou o cartão dele, mas também não consegui baixar”, afirmou. Segundo o parlamentar, essa foi a única vez em que usou o cartão do contraventor.

Comprometido
O depoimento de Leréia terminou há alguns minutos. Na opinião do relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), Leréia se comprometeu em sua fala. Segundo o relator, o caso de Leréia é semelhante ao do ex-senador Demóstenes Torres, pelo fato de ele ter relação pessoal com Cachoeira e ter feito indicações políticas a pedido do contraventor.

Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Juliano Pires

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