Deputados discordam de chanceler sobre forma como Venezuela entrou no Mercosul
05/09/2012 - 17:38

A forma como a Venezuela entrou para o Mercosul causou divergência entre deputados e o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, que participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
A discordância apareceu porque Brasil, Argentina e Uruguai autorizaram a entrada da Venezuela no bloco, aproveitando-se da ausência do Paraguai, que estava suspenso por causa do impeachment do então presidente Fernando Lugo, em junho, considerado antidemocrático. A suspensão do Paraguai deve durar até a eleição de um novo presidente, em abril.
Vários deputados disseram ser a favor da entrada da Venezuela no Mercosul, mas se posicionaram contra a forma como isso ocorreu. O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) lembrou que a adesão do país aguardava votação do Congresso paraguaio desde 2006. "Em função desses últimos acontecimentos, o que fez o Paraguai? Votou contra a entrada da Venezuela. Dentro de alguns meses, a situação do Paraguai se regulariza, e o país deve voltar para o Mercosul com todos os seus direitos. A Venezuela então já estará fazendo parte do Mercosul. Criou-se uma situação desnecessária de atrito entre os países.”
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, discordou: “Tensão desnecessária? Quando há consenso não há tensão.” Patriota explicou que esse consenso foi o obtido junto a todos os membros do Mercosul que não estavam suspensos, ou seja, Brasil, Argentina e Uruguai. “Houve um consenso entre esses países de que era hora de a Venezuela entrar - na verdade, já entrava com atraso porque a negociação vinha desde 2006, os congressos desses três países já tinham ratificado há muito tempo a ideia de ingresso e foi considerado que diante da suspensão do Paraguai das deliberações do Mercosul, era natural que se procedesse à incorporação da Venezuela."
O presidente da comissão externa criada para acompanhar a evolução do quadro que confrontou sem terras paraguaios (carpeiros) e agropecuaristas brasileiros (brasiguaios), deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), também discordou da suspensão do Paraguai. “O Paraguai está sendo tratado de forma ideológica", depois do impedimento do ex-presidente Lugo que era mais próximo politicamente dos governos de países da América do Sul, inclusive do Brasil. Por isso, eles lideraram a tomada de decisão favorável à suspensão do Paraguai da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e do Mercosul.
Grupo de estudos
O ministro acrescentou que o retorno do Paraguai ao bloco e uma possível reavaliação da entrada da Venezuela estão sendo avaliados por representantes do Mercosul e da Unasul, formada pelos doze países da América do Sul. "Existe um grupo de alto nível da Unasul que já se reuniu três vezes em Lima (Peru), e deve se reunir uma vez mais em setembro, que avalia todas essas questões. Eu não tenho uma resposta precisa, mas o mandato do grupo de alto nível é justamente para avaliar, monitorar a situação interna do Paraguai com vistas à normalização no mais breve prazo.
Diplomacia neste ano
O ministro das Relações Exteriores também fez um resumo do trabalho da diplomacia brasileira neste ano e citou como exemplo a atuação em conflitos no Oriente Médio.
Patriota disse que o Brasil vem ganhando relevância internacionalmente, e que a prova disso é o aumento de visitas de outros países. Em menos de dois anos de governo, a presidente Dilma Rousseff recebeu 34 chefes de Estado, e o Itamaraty, 57 chanceleres estrangeiros.
Reportagem - Ginny Morais/ Rádio Câmara
Edição – Regina Céli Assumpção