Política e Administração Pública

Depoente diz que abriu empresas fantasmas por ter sido ameaçado de morte

29/08/2012 - 21:34  

O técnico em contabilidade Gilmar Carvalho Moraes afirmou nesta quarta-feira (29), em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, que abriu empresas de fachada utilizadas no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira porque teria sido ameaçado de morte por Valdeir Fernandes Cardoso. Moraes foi convocado pela CPMI por ser acusado de usar o nome de Roseli Pantoja, com quem foi casado por 13 anos, para abrir as empresas fantasma.

Antonio Augusto
Gilmar Carvalho Moraes (contador e ex-marido de Roseli Pantoja, depoente que, como ele, disse à CPI ter seus dados utilizados sem seu conhecimento)
Gilmar Moraes disse que foi ameaçado por causa de dívida de R$ 7 mil.

Moraes disse que foi ameaçado por Valdeir, para quem devia R$ 7 mil, e foi obrigado a dar entradas em processos para a constituição de, pelo menos, quatro empresas. “Você quer pagar a dívida ou não quer?”, ameaçava Valdeir, algumas vezes armado, segundo o depoente.

Integrantes da CPMI querem saber por que Valdeir fez ameaças para abrir as empresas e qual a relação dele com a organização criminosa de Cachoeira.

O vice-presidente da CPMI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), disse que o relato do Moraes mostra a necessidade de haver “mecanismos mais efetivos para evitar a criação de empresas fantasma ou laranjas”.

Teixeira afirmou que Moraes seria levado diretamente à Polícia Federal para se inscrever em programa de proteção à testemunha.

Moraes disse que, na terça-feira (28), pessoas identificadas como policiais teriam ido à casa do irmão de Roseli à procura dele. “Minha ex-esposa me ligou. Policiais estariam na casa do irmão dela e queriam me encontrar. Tinham de me encontrar e ia sobrar pra eles se não me localizassem.”

Possível ligação com Cachoeira
Roseli é apontada como sócia da empresa Alberto & Pantoja Construções e de outras cinco corporações utilizadas pelo esquema de Cachoeira. Em depoimento na CPMI no último dia 15 de agosto, ela disse não conhecer nenhum desses estabelecimentos.

Roseli informou que, há cerca de um ano, deu uma procuração para o ex-marido abrir sua real empresa, que é uma loja de itens de rock (Hekate Rock) na Feira dos Importados de Brasília. Entretanto, o relator CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a Alberto & Pantoja foi aberta em 2010.

Segundo a Polícia Federal, a Alberto & Pantoja é uma empresa de fachada integrante do suposto esquema criminoso montado por Cachoeira, utilizada para triangular pagamentos ilegais da construtora Delta. Assim como a Brava Construções, ela tem endereço fictício - um prédio, em uma cidade-satélite de Brasília, onde funciona uma oficina mecânica.

Reportagem - Tiago Miranda
Edição - Marcelo Oliveira

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