Contador diz na CPMI que não conhece Cachoeira e que foi usado
08/08/2012 - 13:22
Terminou o depoimento da ex-mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, Andréa Aprígio. Segundo os integrantes da CPMI, ela não respondeu a nenhuma pergunta depois que a reunião foi fechada.
A comissão ouviu em seguida o contador Rubmaier Ferreira de Carvalho. Ele concordou em depor, apesar de dispor de habeas corpus que lhe garante o direito de permanecer em silêncio.
Carvalho disse que não conhece Cachoeira, mas confirmou que seu escritório constituiu em 2009 a Brava Construções, considerada pela Polícia Federal como uma das empresas de fachada da rede do contraventor. “A empresa foi constituída, mas não sei dos sócios, não encontro nenhum. Só foi constituída, mas não prestei serviço contábil”, afirmou.
Ele confirmou que tem um escritório de contabilidade no mesmo endereço, sala 122 do Centro Comercial do Cruzeiro Velho (DF), há 25 anos, com mais de 100 clientes. Segundo o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), uma das empresas de fachada, a Veloso e Conceição, tem sede no mesmo endereço e tem o mesmo telefone. Ele disse que não tem nenhuma relação com essa empresa e que foi usado.
Carvalho disse que a Brava foi a única empresa que constituiu. O deputado Vaz de Lima (PSDB-SP) disse que ele pode estar sendo vítima do esquema, que poderia estar utilizando seu nome indevidamente.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) disse que pedirá à CPMI para convocar Marcos Teixeira Barbosa, ex-funcionário do escritório de contabilidade de Rubmaier. Segundo o contador, o funcionário tinha a senha da Secretaria de Fazenda do DF para fazer o cadastro de empresas.
Coaf
O contador não quis responder ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR) sobre uma movimentação financeira analisada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de R$ 2,3 milhões. Segundo o órgão, o contador recebeu esse valor entre julho e agosto de 2005, retirado das contas da empresa Qualix S.A. Carvalho usou o direito de permanecer em silêncio em relação à movimentação financeira dessa empresa e disse apenas que nunca prestou serviços para ela.
Suspeitas
Rubmaier Carvalho é considerado pela Polícia Federal como “administrador” de empresas de fachada que servem para “esquentar” as irregularidades do fluxo financeiro das operações de Cachoeira. Segundo a PF, ele tem participações na Brava Construções e na Alberto & Pantoja, as duas maiores empresas de fachada da rede criada pelo contraventor.
As investigações indicam que, entre 2010 e 2011, cerca de R$ 40 milhões passaram pelas contas bancárias das duas empresas. As suspeitas decorrem do fato de que as duas empresas, apesar do volume de dinheiro que movimentaram, só existem nos registros burocráticos, pois nada produzem, não têm funcionários nem funcionam no endereço declarado às autoridades. Na Operação Monte Carlo, Rubmaier Carvalho é citado como contador da Brava Construções.
A reunião já foi encerrada
* Matéria atualizada às 14h06
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Wilson Silveira