Consumidor

Deputado cobra investimento em qualidade da telefonia celular

01/08/2012 - 16:22  

Alexandra Martins
Dep. Edmar Arruda (PSC-PR)
Edmar Arruda disse que o consumidor não aguenta mais o caos no setor de telefonia.

As operadoras de telefonia móvel terão de investir na qualidade dos serviços que prestam aos seus clientes antes de terem a permissão para vender novas linhas de celular e internet. É o que o relator da Subcomissão de Telefonia Móvel da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, deputado Edmar Arruda (PSC-PR), pretende defender diante do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende. Uma audiência do colegiado com Rezende estava prevista inicialmente para a próxima quarta-feira, mas agora está sem data definida.

“Um caminho é conversar com a Anatel para que só libere a comercialização depois do efetivo investimento ou da comprovação de que há capacidade para novas linhas. Se a Anatel liberar isso previamente, nós teremos outras formas para impedir que isso aconteça. Preferimos não usar medidas judiciais, mas, se for o caso, poderemos ter esse caminho também”, afirmou o deputado, após reunião da subcomissão nesta quarta-feira (1).

Desde 23 julho, cada estado tem uma operadora de telefonia proibida de vender novas linhas de celular e de internet móvel. A escolha da empresa foi baseada no desempenho: a de pior qualidade não pode ter novos clientes. A TIM está nessa situação em 18 estados e no Distrito Federal; a Oi em 5 estados; e a Claro em 3.

De acordo com Edmar Arruda, essa medida da Anatel não prejudicou os consumidores. “O importante é deixar as companhias que têm capacidade venderem e operarem. O que não se pode é aumentar violentamente o número de telefones e não conseguir falar; as pessoas não aguentam mais este caos”, avaliou. Ele comparou a situação atual da telefonia com a época em que era preciso colocar palhas de aço nas antenas de TV para obter uma boa imagem.

Planos
Desde a suspensão das vendas, representantes das operadoras se reúnem quase diariamente com a presidência da Anatel, apresentando planos de investimentos futuros para resolver os problemas de qualidade — principalmente os de sinal e de interrupções de chamada. Mesmo com esses planos aprovados, o resultado de melhorias para os clientes só deverá ser visível em seis meses, de acordo com a Anatel.

Segundo o presidente da Subcomissão de Telefonia Móvel, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os consumidores continuarão a ter um serviço ruim, porque o problema não será resolvido e as operadoras continuarão a acrescentar linhas a um sistema já congestionado.

Ele também considera que é necessário buscar melhorias imediatas antes de liberar as novas linhas: “Queremos mostrar, para a sociedade, aquilo que está impedindo o cidadão comum de falar ao telefone. Se, por exemplo, o impacto na rede de transmissão está sendo causado pelos telefones pré-pagos com minutagem liberada para falar entre si na mesma companhia, precisará haver uma medida para evitar que isso congestione a rede.”

O Brasil tem hoje quase 260 milhões de celulares, 70 milhões a mais do que a população do País. Entre os critérios de avaliação das companhias telefônicas, está o índice de reclamações. A meta, segundo a Anatel, é que haja no máximo 2 queixas a cada 10 mil clientes. No primeiro trimestre deste ano, nenhuma das quatro maiores operadoras do Brasil alcançou esse objetivo.

(*) Matéria atualizada às 18h09.

Reportagem - Ginny Morais/Rádio Câmara
Edição – João Pitella Junior

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