PSDB tenta desqualificar denúncias contra Perillo; PT reage às críticas
27/06/2012 - 18:51
Ao final da sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira desta quarta-feira, os deputados Domingos Sávio (PSDB-MG) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o senador Mário Couto (PSDB-PA) tentaram desqualificar o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, dizendo que ele era réu confesso de crimes fiscais e não teria condições morais para fazer acusações contra o governador de Goiás, Marconi Perillo. Bordoni afirmou que parte do pagamento pelos serviços que ele prestou à campanha eleitoral de Perillo foi feito por empresas de fachadas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Essa estratégia do PSDB provocou um bate-boca entre Sampaio e o vice-presidente da CPMI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), porque este último indeferiu uma pergunta sobre um espancamento que Bordoni sofreu. Sampaio queria saber os motivos que levaram à agressão. Bordoni alegou foro íntimo e pediu a Paulo Teixeira que fosse dispensado de responder à pergunta, o que foi acatado pelo presidente. Sampaio protestou dizendo que a atitude de Teixeira representava mais um ato do PT para direcionar a investigação.
Essa suposta atitude já havia sido criticada por Sampaio em outras sessões da CPMI, quando, segundo ele, o relator Odair Cunha (PT-MG) teria sido mais incisivo nas acusações contra o PSDB do que naquelas contra o PT. Odair Cunha negou direcionamento e disse que as convocações de Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Dnit, e Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções S.A., cobradas pela oposição, poderão ser deliberadas na próxima reunião administrativa da comissão, marcada para 5 de julho.
Ao avaliar o depoimento de Bordoni, Odair Cunha disse que o jornalista trouxe graves evidências de que a campanha de Perillo para governador de Goiás “foi financiada pela organização criminosa de Cachoeira”. Cunha minimizou as críticas feitas pelos parlamentares do PSDB ao depoente, dizendo que Perillo e Bordoni se relacionam há 14 anos, e, só agora, depois de o jornalista fazer acusações contra o governador goiano, é que ele tem a sua integridade moral atacada.
A reunião da CPMI encerrou-se há pouco.
Amanhã, às 10h15, haverá nova reunião, para ouvir, desta vez, os depoimentos de pessoas relacionadas com o governador do Distrio Federal, Agnelo Queiroz, que supostamente teriam ligações com Cachoeira.
Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Newton Araújo