A imprensa não pode fugir de suas responsabilidades, diz jornalista
O secretário-geral da Federação Nacional dos Jornalistas, José Augusto Camargo, disse há pouco ser necessário criar mecanismos sociais e jurídicos para garantir que a imprensa assuma seus deveres e tenha os direitos respeitados.
"Queremos garantir ao profissional de imprensa o direito de trabalhar, de ter o sigilo da fonte, de ter acesso à informação dos órgãos do governo. Mas, se queremos direitos, também temos que arcar com os nossos deveres. Um deles é preservar a dignidade e o direito da pessoa humana", disse Camargo.
Ao comentar a reportagem veiculada pela TV Bandeirantes da Bahia, na qual uma repórter faz gracinhas ao entrevistar um rapaz jovem e negro, preso sob a acusação de estupro, Camargo afirmou que, além de responsabilizar a repórter, é preciso também analisar o papel dos editores e da própria emissora, que permite a veiculação de matérias como essa. "É necessário cobrar a responsabilidade civil da empresa de comunicação. A indústria da mídia tem de responder por isso. A repórter cometeu um erro, mas é preciso envolver a empresa, que não pode ser eximida de culpa nesse e em outros episódios".
José Augusto Camargo participa de audiência pública sobre a dignidade humana e os meios de comunicação. O debate, promovido em conjunto pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, prossegue no Plenário 9.