Provedores se negam a fornecer dados de criminosos da internet, diz delegado
22/05/2012 - 17:01
O delegado Delano Cerqueira Bunn, chefe da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, destacou há pouco a necessidade de a autoridade policial ter acesso, com maior rapidez, aos dados cadastrais das pessoas que cometem crimes contra os direitos humanos pela internet - inclusive a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ele fez uma comparação entre as cartas que são enviadas e recebidas pelos Correios e a correspondência virtual, que acontece por meio da rede de computadores. "Quando só existiam as cartas pelos Correios, a Polícia Federal podia investigar, com rapidez, as informações sobre a postagem da correspondência, sobre o recebimento, sobre o destinário e o remetente, mantido o sigilo do conteúdo. Agora, no caso da internet, os provedores se negam a fornecer os dados cadastrais à autoridade policial", reclamou.
Delano Bunn explicou que a Polícia Federal tem que recorrer à Justiça para obter esses dados. Com isso, o tempo médio entre a data do conhecimento da violação dos direitos humanos até a data em que os provedores fornecem as informações é de aproximadamente 120 dias.
"Se tivéssemos a prerrogativa de pedir diretamente esses dados, nossas investigações seriam quase imediatas e teríamos condições de atuar melhor na área de direitos humanos. Nesse primeiro momento, não queremos o conteúdo das mensagens, queremos os dados da conexão", declarou.
O delegado também informou que já foi aprovado pelo Ministério da Justiça o projeto do Sistema Nacional de Direitos Humanos. O sistema vai integrar as denúncias que hoje chegam por diversos canais, como as comissões de Direitos Humanos do Congresso Nacional e as secretarias do Poder Executivo. "As notícias-crimes vão estar num portal criptografado, mantido pela Polícia Federal", disse Delano Bunn.
O delegado participa de audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes, que ocorre neste momento no Plenário 9.
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Reportagem - Renata Tôrres/Rádio Câmara
Edição - Daniella Cronemberger