Educação, cultura e esportes

Subutilização dos estádios após a Copa de 2014 preocupa deputados

16/05/2012 - 16:43  

Saulo Cruz
Ricardo Trade (diretor executivo de Operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014)
Ricardo Trade, do Comitê Organizador da Copa: estádios poderão ser usados para outros tipos de eventos.

Deputados estão preocupados com a subutilização dos estádios de futebol construídos nas 12 cidades-sede após a Copa do Mundo de 2014. O assunto foi discutido nesta quarta-feira (16) no Seminário Brasil Pós-Copa 2014: Legado e Gestão dos Estádios, promovido pela Comissão de Turismo e Desporto.

O presidente da comissão, deputado José Rocha (PR-BA), disse que se preocupa, sobretudo, com o uso de estádios após a Copa em estados com pouca tradição no futebol, como Distrito Federal e Amazonas. Segundo ele, em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul, os estádios são muito utilizados. “Alguns desses estádios passarão a ser elefantes brancos”, opinou o deputado Romário (PSB-RJ), que solicitou a realização do seminário, em conjunto com José Rocha.

O diretor-executivo de operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Trade, afirmou que outros eventos, como shows, poderão ser realizados nos estádios. Segundo Trade, o conceito que está sendo usado pela Fifa é de que o estádio seja uma “arena multiuso”.

O conceito envolve acesso fácil por meio do transporte público, facilidade para compra de ingresso, espaços de alimentação, conforto e opções de lazer, como visita à sala de troféus, locais para compra de souvenirs e tours de visitação em dias sem jogo. “Com esses novos estádios multifuncionais, mais eventos – e não apenas jogos - poderão ser levados para as cidades, gerando mais receita para o próprio futebol”, destacou.

Fortalecimento dos clubes
Para os deputados Romário e José Rocha, é necessário pensar desde já no fortalecimento dos clubes locais de futebol nas cidades-sede. “O estádio é feito com dinheiro público para o futebol, e tem que ser usado sobretudo para o futebol”, ressaltou Romário.

Para Rocha, nas cidades sem clubes fortes de futebol, os modelos de gestão dos estádios devem ser definidos o quanto antes e devem ser pensadas estratégias de fortalecimento desses clubes. “Temos que promover ídolos nos clubes, para que torcidas sejam formadas e os clubes possam ser fortes”, opinou.

Ricardo Trade respondeu que o fortalecimento dos clubes locais não é função do comitê, mas que o assunto deve ser discutido com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De acordo com ele, em algumas das cidades-sede, já está definido quem será o operador posterior dos estádios – em São Paulo, por exemplo, é o clube Corinthians. Mas, em outros, o processo de definição do operador ainda está em curso.

Trade disse ainda que mais jogos da CBF poderão ser realizados nesses estádios após a Copa, desconcentrando os locais usuais das partidas, como o Rio de Janeiro (RJ). As 12 cidades-sede da Copa são, além do Rio, Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Natal (RN), Cuiabá (MT), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Manaus (AM).

Para o deputado Deley (PSC-RJ), após a Copa, os estádios podem ser utilizados para o “atendimento social”, como atividades desportivas para a população.

O secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Luís Fernandes, disse que as estruturas construídas na Copa, como estádios, portos e aeroportos, poderão alavancar o desenvolvimento do Brasil no período após o evento. Para Fernandes, a Copa também poderá potencializar a criatividade dos brasileiros para gerar novos negócios no País. Ele disse que a colaboração entre Executivo, Legislativo e órgãos de controle poderá garantir que o legado da Copa seja efetivo para o Brasil.

Empregos
O deputado Jonas Donizette (PSB-SP), por sua vez, acredita que o principal legado da Copa serão os empregos gerados. Ricardo Trade informou que, ao todo, 23 mil pessoas já estão trabalhando nos estádios de futebol nas 12 cidades-sede. “A geração de emprego e renda já é parte do legado da Copa”, destacou. Ele assegurou que as obras dos estádios estão avançadas e que o cronograma está sendo cumprido.

O vice-presidente da Federação Baiana de Futebol, Manfredo Lessa, afirmou que a conclusão das obras não preocupa, mas sim o acesso do público aos estádios do futebol. “Estou preocupado com a mobilidade urbana nas cidades-sede”, destacou. Conforme o diretor-executivo de operações do Comitê Organizador da Copa, o assunto é de responsabilidade dos governos estaduais e do governo federal.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Daniella Cronemberger

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