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Produção de terras-raras no Brasil esbarra em falta de tecnologia

10/05/2012 - 10:20  

O deficit tecnológico é um dos principais entraves para a produção de terras-raras no Brasil. A falta de tecnologia fica mais evidente em razão das características do processo de lavra e de separação desses minerais. Presentes na natureza em pequenas partículas e misturados a diversos outros minérios, os elementos de terras-raras são de difícil exploração.

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Presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais avalia potencial brasileiro em entrevista na Rádio Câmara.

"O Brasil produziu terras-raras entre as décadas de 40 e 70 em Buena, município do Rio de Janeiro", explica o consultor de Recursos Minerais da Câmara Paulo César Lima. No entanto, segundo ele, a lavra dos minerais foi interrompida em razão da grande presença de tório, que produzia rejeitos radioativos. "O problema é que durante todo esse período se deixou de fazer investimentos para desenvolver conhecimento para separar cada óxido de terras-raras no País."

Estudos prévios mostram que o Brasil dispõe de grande potencial de terras-raras no vale do Sapucaí do Sul de Minas Gerais, na mina de Pitinga (AM), e nos complexos alcalinos de Araxá (MG), Catalão (GO), Tapira (MG), Poços de Caldas(MG) e Seis Lagos (AM).

Em relação a novas áreas, como Araxá e Pitinga, Lima afirma que as concentrações de tório são baixas. "Nesses casos, voltamos ao problema da falta de tecnologia suficiente para viabilizar a produção em escala industrial", disse. "Penso que o Brasil tem potencial para começar a produzir em Araxá já a partir de 2016", completou Lima.

Ele acredita que o custo de produção deve ficar em torno de U$ 8 o quilo e o preço de venda no mínimo em U$ 30.
Iniciado em janeiro, o projeto brasileiro conta com um orçamento de R$ 18,5 milhões e é liderado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Natalia Doederlein

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