Conselho aguarda representações contra deputados citados no caso Cachoeira
09/05/2012 - 17:40

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), disse nesta quarta-feira que ainda não recebeu as acusações apresentadas na Corregedoria Parlamentar relativas aos deputados citados nas escutas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal e que constam das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.
Os deputados citados nas interceptações telefônicas da Operação Vegas foram Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO). Há ainda uma representação contra Rubens Otoni (PT-GO), mas sob outra acusação, de ter recebido dinheiro para sua campanha eleitoral de 2004, quando era candidato a prefeito de Anápolis (GO). Cachoeira, na ocasião, pediu para que os recursos não fossem declarados.
O corregedor da Câmara, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), afirmou que só vai dar prosseguimento às representações quando receber as informações sobre as investigações que estão em poder do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Regimentalmente, temos o prazo de 45 dias úteis, que pode ser prorrogado, para concluir o trabalho da comissão de sindicância, mas não acredito que seja necessário usar todo o tempo. Precisamos das informações do STF para ter acesso aos autos", declarou Eduardo da Fonte.
Acusados se defendem
Os acusados, no entanto, já divulgaram suas defesas. Rubens Otoni acredita que a publicação da conversa tem o objetivo de desviar a atenção das investigações da Operação Monte Carlo e de confundir a opinião pública. Segundo o deputado, a conversa divulgada aconteceu há oito anos, quando lideranças políticas e empresariais do município de Anápolis o procuraram de boa fé para ajudar Cachoeira em questões relacionadas à sua empresa de produtos farmacêuticos, a Vitapan.
Leréia admite ser amigo pessoal de Cachoeira, mas afirmou que não tem relação com a exploração de jogos ilegais que motivou a investigação sobre o empresário. Por meio de sua assessoria, o deputado disse que uma investigação da Procuradoria-Geral da República já concluiu que não existem “elementos mínimos” que demonstrem que ele tenha de fato participado do objeto da investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Já Sandes Júnior informou que os diálogos divulgados em que ele e Cachoeira discutem o recebimento de cheques referem-se ao fim de um contrato de trabalho entre o deputado e uma estação de rádio, pelo qual ficou acertado o pagamento de verbas rescisórias em dez parcelas, por meio de dez cheques de R$ 50 mil.
Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Newton Araújo