Lula convoca País para combater a fome
01/01/2003 - 15:50
Em seu discurso de posse, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que duas virtudes serão exercidas diariamente em seu governo: paciência e perseverança. Citando qualidades do povo brasileiro, convocou-o para um grande mutirão cívico contra a fome, o que, para ele, deve ser uma grande causa nacional, como a criação da Petrobras e a redemocratização do País. "Deve prevalecer o imperativo de somar forças para defender o que é mais sagrado: a dignidde humana", disse o presidente.
Lula vê um povo maduro, calejado e otimista, mas que não deixa nunca de ser jovem. Segundo ele, "um povo que sabe sofrer, mas não esquece o que é a alegria".
CHEGA DE FOME
Lula lembra que não deveria haver razão alguma para a fome em um País imenso e com tantas terras. "As pessoas com fome sobrevivem milagrosamente abaixo da linha de miséria", disse, ressaltando que a fome não foi vencida em nenhum governo. “O Brasil conheceu a riqueza dos engenhos e das plantações de cana, proclamou a independência, aboliu a escravidão, conheceu a abundância do ouro em Minas, da produção de café no vale da Paraíba, industrializou-se, mas não venceu a fome”.
Lembrando o que disse assim que eleito - "se, ao final do meu mandato, todo brasileiro tiver condições de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida" -, ressaltou que, enquanto houver um irmão ou irmã brasileiros passando fome, "teremos motivos de sobra para nos cobrir de vergonha".
REFORMA AGRÁRIA
Uma das formas de se acabar com a fome, de acordo com o presidente, será uma reforma agrária pacífica e organizada, "para que os campos do Brasil produzam mais e tragam mais alimentos para a mesa do brasileiro; (...) para que o homem do campo recupere sua dignidade sabendo que ao se levantar, (...) cada movimento de sua enxada ou de seu trator irá contribuir para a melhoria do bem estar dos brasileiros".
Luiz Inácio Lula da Silva também comprometeu-se a incentivar a agricultura familiar e o cooperativismo, modalidades, que segundo ele, complementam a agroindústria.
Ele acrescentou que a reforma agrária será feita em terras ociosas e que contará com linhas de crédito para estimular o aumento da produção.
Por Daniela André/PR
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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