Governistas descartam convocar Mantega para explicar-se sobre Casa da Moeda
As denúncias contra o ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, acusado de receber propina de fornecedores, repercutiram na retomada dos trabalhos parlamentares. Enquanto líderes de oposição insistiram que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsável pela indicação de Denucci, deve explicações ao Congresso, governistas trataram de descartar a vinda de Mantega ao Parlamento.
O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse que os três partidos de oposição (DEM, PSDB e PPS) estão analisando a possibilidade de apresentar um requerimento de convocação do ministro da Fazenda.
A oposição quer esclarecer a informação de que o ministro Mantega já sabia das denúncias contra o titular da Casa da Moeda cinco meses antes da demissão. “Ele [Mantega] deve explicações ao Congresso e ao Brasil. Se ele mantiver o silêncio até a próxima semana, quando a Câmara retoma seus trabalhos, não vejo outro caminho a não ser convocá-lo”, disse o líder do DEM.
O líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), disse que o Congresso precisa saber se Mantega atuou apenas depois de ser notificado de que o caso seria publicado pela imprensa. “Espero que a Câmara não utilize a tropa de choque para que haja o esclarecimento necessário”, disse.
Sem provas
Os governistas, no entanto, descartaram a vinda de Mantega. Para o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), o ministro pode ter sabido das denúncias antes, mas não teria condições de atuar sem quaisquer provas. “Há cinco meses, uma pessoa o procurou dizendo que tinha denúncias, então ele disse: formalize a denúncia, isso não significa que ele sabia do conteúdo”, afirmou.
O líder de governo disse que o episódio está sendo usado para fazer “politicagem”. “Se alguém quer criar um movimento de politicagem porque estamos em ano eleitoral, pode culpar o ministro, mas se quer discutir política, vamos analisar os fatos”, condenou.
Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Mantega não demorou a agir, como critica a oposição. “As providências do governo já foram tomadas, agora é um inquérito na Polícia Federal que vai falar da veracidade ou não dos dados levantados”, disse.
Saída de Negromonte
Os parlamentares minimizaram o impacto da saída de Mário Negromonte do Ministério das Cidades. Ele foi substituído no início da tarde pelo atual líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB).
Para o presidente da Câmara, Marco Maia, mudanças nos ministérios são “naturais”, especialmente na troca de ano. Acho que é natural no governo que haja mudanças e principalmente ao final de cada ano, cada etapa cumprida. “Não acredito em crises, há mudanças e transformações encaradas de frente pela presidenta Dilma. Essa mudança que ocorre hoje também foi construída ao longo do tempo”, avaliou Marco Maia.
O líder Vaccarezza limitou-se a dizer que a presidente Dilma Rousseff fez uma boa escolha ao nomear para a pasta Aguinaldo Ribeiro.
Já o líder do PSDB, Bruno Araújo, afirmou que Negromonte “construiu a sua saída politicamente” e criticou as quedas sucessivas de ministros. “Oito ministros já se foram. Nessa proporção, serão mais 24 até o final do Governo Dilma”, ironizou.
O deputado Leonardo Gadelha (PSC-PB) assumirá a vaga de Aguinaldo Ribeiro, décimo deputado a se licenciar para assumir um ministério no Governo Dilma.