Governo discorda de prorrogação da DRU por dois anos e enfrenta obstrução
Líderes partidários anunciaram há pouco que o Executivo vetou a proposta da oposição de prorrogar a Desvinculação das Receitas da União (DRU) por apenas dois anos, até 2013 – metade do tempo previsto no texto do governo (PEC 61/11), que amplia o mecanismo até 2015. Com isso, a oposição mantém a obstrução e promete uma sessão longa, a exemplo do que ocorreu na votação da comissão especial, quando a reunião chegou a cerca de dez horas.
Segundo o presidente da Câmara, Marco Maia, que levou até o Planalto a proposta da oposição de prorrogar a DRU por dois anos, o Executivo defendeu a ampliação do mecanismo até 2015 como resposta à crise internacional. “A aprovação da DRU é a demonstração de que o governo tem fôlego para enfrentar os problemas da crise internacional, e a avaliação é que [a prorrogação por] dois anos poderia demonstrar fragilidade do governo em relação às perspectivas de crise, que são superiores a este prazo”, disse Marco Maia.
A oposição garantiu que vai usar todos os mecanismos possíveis de obstrução. “Vamos varar madrugada adentro sem nenhuma previsão de término”, disse o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Ele disse que a oposição vai defender a aprovação do destaque que prevê a DRU apenas até 2013 e declarou ainda que a oposição continua aberta ao diálogo.
Mas o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que não há chances de o governo acatar a proposta de prorrogar a DRU por apenas dois anos. “A negociação está encerrada.” O governista avaliou que, a depender do ritmo da votação, será difícil votar o primeiro turno ainda hoje, mas disse estar confiante de que a proposta será enviada ao Senado ainda nesta semana.
O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), garantiu que o partido vai votar com o governo, pela prorrogação da DRU até 2015. "O PMDB estará firme com 80 votos a favor do relator. A nossa disposição é terminar esse processo”, disse.