Agropecuária

Fiscais e produtores divergem sobre denúncia de ação abusiva no RS

27/09/2011 - 20:04  

Brizza Cavalcante
Onyx Lorenzoni
Lorenzoni pediu que a polícia evite ostentar armas em suas ações.

Debatedores divergiram nesta terça-feira sobre a denúncia de abuso cometido por agentes de fiscalização do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal contra produtores rurais associados ao Consórcio de Empregadores Rurais de Ibiraiaras (RS). O tema foi abordado em audiência pública promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

De acordo com os produtores, as ações fiscalizatórias, que ocorreram nos dias 1° e 7 de julho para averiguar suspeitas de trabalho escravo na região, teriam extrapolado os limites da razoabilidade e da legalidade. O presidente do consórcio, Marconi Christianetti, afirmou que foi tratado como marginal e falsificador de documentos. “A Polícia Federal entrou armada na minha loja. Foi terrível. Até hoje estou tomando remédio para depressão”, declarou. Christianetti disse que ninguém na localidade quer trabalhar com carteira assinada para não perder benefícios do governo federal, como o Bolsa Família.

O presidente da Câmara de Vereadores de Ibiraiaras, Luiz Orlando Climaco, sustentou que “nunca houve trabalho escravo no município”. Ele defendeu uma revisão no Bolsa Família, a fim de beneficiar os assalariados. “Quem trabalha não pode ser penalizado”, observou.

Segundo a coordenadora nacional de erradicação do trabalho escravo do Ministério Público do Trabalho em Pernambuco, Débora Tito Farias, não houve abusos na operação realizada no interior gaúcho. “Infelizmente, pessoas já morreram [nas investigações], por isso, é preciso usar armas”, justificou.

Para o delegado da Polícia Federal Elmiz Rocha Júnior, se houve abusos, eles devem ser investigados. Ele destacou, porém, que é necessário um comunicado formal sobre as supostas irregularidades. “A PF tem total interesse de apurar o caso”, ressaltou.

Sugestão
Autor do requerimento para realização do debate, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu que a polícia evitasse a ostentação de armas em suas ações. O parlamentar sugeriu ainda o encaminhamento da degravação da audiência aos órgãos envolvidos.

Ainda na reunião, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Luís Eduardo Magalhães (BA), Reinildo Ney dos Santos, denunciou abusos que teriam sido cometidos por fiscais do Ministério do Trabalho e da Polícia Federal na Bahia. Ele exibiu um vídeo com o depoimento de vários produtores rurais do estado.

Reportagem – Oscar Telles
Edição – Marcelo Oliveira

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