Agropecuária

Oposição volta a defender criação de CPI de combate à corrupção

03/08/2011 - 17:14  

Mesmo depois dos esclarecimentos do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, sobre as denúncias contra a pasta, a oposição continua trabalhando por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) de combate à corrupção.

O líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), defendeu hoje a criação da CPI para investigar todas as irregularidades no governo. “Precisamos resgatar os instrumentos para a Câmara desdobrar as investigações de corrupção no governo”, afirmou. “Vamos trabalhar para que a opinião pública esteja conosco no desafio de sensibilizar o Congresso para instalar uma CPI do combate à corrupção”, completou o líder da Minoria, Paulo Abi Ackel (PSDB-MG).

Magalhães Neto criticou o critério de escolha de diretores e de outros dirigentes pelo governo Dilma Rousseff. “O critério tem sido o parentesco ou o apadrinhamento”, disse. Ele criticou especialmente a nomeação do ex-dirigente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Para o líder do DEM, a estrutura do governo como um todo está marcada pelo “fisiologismo”, pelo “aparelhamento” e pela corrupção. “A responsável por isso é a presidente Dilma Rousseff, que não foi capaz de romper com essa lógica nas nomeações.”

O líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), também criticou “o modus operandi de distribuição de cargos em troca de favores”. “Vemos gente ficando rica nos ministérios e temos de fazer esse enfrentamento”, defendeu.

Renascença
Para Nogueira, o ministro da Agricultura não esclareceu por que a Conab, ligada à pasta, teria desistido de questionar na Justiça o pagamento de R$ 8 milhões à empresa de abastecimento Renascença, supostamente ligada à família Jucá. O pagamento irregular à empresa foi responsável pela demissão de Oscar Jucá Neto da Conab, que deu entrevista à revista Veja acusando o ministro Rossi e a gestão da Conab de atos corruptos.

“A Conab perdeu em primeira instância e não recorreu mais. O administrador público tem de recorrer até a última instância. Esse processo transitou em julgado em prejuízo à Conab e, por isso, temos de checar essas informações”, avaliou o líder do PSDB. Em depoimento à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural na manhã de hoje, Wagner Rossi disse que a Conab é obrigada a recorrer de decisões desfavoráveis e que a direção do órgão teria lhe informado que não havia mais recurso cabível nesse caso.

Posição do governo
Na audiência, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), e o líder do PT, deputado Paulo Teixeira (SP), rechaçaram a criação de uma CPI da Corrupção sem fato determinado e sem número mínimo de assinaturas. Eles disseram, porém, que a bancada governista não se opõe à vinda de ministros para falar sobre assuntos relativos às suas pastas. “A base está orgulhosa da postura do ministro Wagner Rossi”, afirmou Vaccarezza.

O deputado Paulo Teixeira destacou, entretanto, que o PSDB já propôs a convocação de dez ministros. “Querem convocar todos os ministros”, disse. Para ele, o PSDB quer mudar a agenda do governo, sem propor uma agenda nova. “Nossa pauta é o crescimento, a geração de renda, a transparência da área pública”, completou. Ele acrescentou que considera que a presidente Dilma Rousseff tem sido implacável contra a corrupção.

Apoio
Já o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), reiterou o seu apoio ao ministro Wagner Rossi, que foi indicado pelo partido. “Confiamos integralmente no ministro, na sua história e no seu presente”, destacou. Ele afirmou ainda que, a partir de agora, quando houver qualquer denúncia contra um dirigente do governo indicado pelo PMDB, o partido tomará a iniciativa de convidar esse dirigente para prestar esclarecimentos aos deputados.

Reportagem – Lara Haje e Carol Siqueira
Edição – Regina Céli Assumpção

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