Política e Administração Pública

Em Plenário, deputados prestam homenagem a Itamar Franco

04/07/2011 - 17:53  

A sessão do Plenário desta segunda-feira foi suspensa em homenagem ao senador e ex-presidente da República Itamar Franco, morto no último sábado, em São Paulo, em decorrência de um acidente vascular cerebral. A suspensão foi pedida pelo deputado Mauro Benevides (PMDB-CE).

Itamar Franco, de 81 anos, estava internado em São Paulo desde o dia 21 de maio, quando foi diagnosticado com leucemia. O velório foi realizado em Juiz de Fora (MG), onde ele foi prefeito, e em Belo Horizonte – Itamar ocupou o governo de Minas Gerais de 1999 a 2002. O corpo foi cremado no final da tarde.

Mauro Benevides fez um discurso relembrando a trajetória do político mineiro e a atuação como governante do País entre 1992 e 1994, assumindo devido ao impeachment do então presidente e atual senador Fernando Collor.

Segundo Benevides, Itamar Franco firmou uma imagem de austeridade junto à população, com “uma conduta irrepreensível no resguardo do interesse público”. Benevides destacou o papel do ex-presidente como “guardião das diretrizes do Plano Real”.

O deputado salientou ainda a atuação de Itamar durante os anos do regime militar, quando ajudou a formar a oposição que pressionava pela abertura política. Desse grupo do então MDB, faziam parte, além de Benevides, Ulysses Guimarães e Marcos Freire, dentre outros.

Plano Real
Antes da suspensão dos trabalhos, deputados de vários partidos prestaram homenagem a Itamar Franco.

Darcísio Perondi (PMDB-RS) lembrou que Itamar assumiu o governo com inflação alta e conseguiu controlá-la com o Plano Real. Segundo o parlamentar, o Brasil lamenta a perda de um dos maiores homens públicos. Perondi ressaltou ainda que, na crise do impeachment de Collor, o político mineiro foi discreto e não se verificou nenhuma ação de sua parte que pudesse ter influenciado na decisão. “Isso mostrou o seu caráter”, disse.

Para Átila Lins (PMDB-AM), o Plano Real foi o ato mais marcante da trajetória política de Itamar. “O Plano Real tem servido para tranquilizar a população brasileira nos últimos anos”, afirmou o parlamentar. Em relação ao impeachment de Collor, o deputado disse que Itamar assumiu uma responsabilidade ímpar num momento histórico difícil para o Brasil.

Lins lembrou que houve um momento em que Itamar queria convocar eleição presidencial para concluir o mandato, mas as forças políticas de então entenderam que não era necessário. O deputado disse ainda que durante o governo Itamar a Zona Franca de Manaus não sofreu nenhuma “mutilação”.

Ariosto Holanda (PSB-CE) afirmou que gostaria de lembrar Itamar como o grande estadista responsável pela política da transição. Ele foi o responsável pela nomeação de Jamil Haddad para o Ministério da Saúde, que deu novas diretrizes ao setor, fortalecendo os hospitais universitários e começando a implantar as fábricas de medicamentos junto às faculdades de farmácia, para atender principalmente as populações mais carentes. “O Brasil lembrará na sua história o nome de Itamar Franco como o estadista que iniciou o verdadeiro processo de desenvolvimento do País”, disse.

Medidas provisórias
Onofre Santo Agostini (DEM-SC) salientou que o político mineiro era contra a edição de medidas provisórias. Em vários discursos, disse o parlamentar, Itamar fez severas críticas às MPs, que, para o ex-presidente, seriam um dos motivos da fragilidade do Legislativo. Segundo Agostini, com a morte de Itamar perde o Brasil, perde o estado de Minas Gerais e também perde a classe política. “Ele cumpriu o seu dever. Tenho certeza de que Itamar Franco está no lugar merecido”, disse.

Vicentinho (PT-SP) disse que durante uma crise profunda no setor automobilístico foi por meio de pessoas como Itamar que o setor realizou o maior acordo de relação de trabalho já existente no Brasil. “Conseguimos um reajuste de acordo com a inflação, que era galopante, e um aumento de 20%”, disse. Com a redução de impostos sobre veículos, que diminuiu o preço final, Vicentinho salientou que foram gerados 15 mil empregos no período. “Itamar Franco foi decisivo no fechamento do acordo”, afirmou.

Erika Kokay (PT-DF) disse que foi durante o governo de Itamar que todos os funcionários do Banco do Brasil passaram a ter direito a seis horas de trabalho. Ela disse ainda ter sido nesse período que funcionários da Caixa Econômica Federal, demitidos por causa de greve, foram readmitidos. “Nós devemos a esse homem um período de defesa de nossas instituições, um período em que não paira nenhuma mácula sobre a nação”, observou.

Valmir Assunção (PT-BA) informou que Itamar Franco foi o primeiro governante a reconhecer como legítimo o movimento dos sem-terra. Para o deputado, o Brasil perdeu um dos principais líderes políticos que sempre reafirmou suas convicções no sentido de fortalecer o poder legislativo. “Isso fica marcado na sua história.”

Desenvolvimento
Chico Lopes (PCdoB-CE) disse que Itamar sempre teve a postura de preservar o País e defendê-lo, procurando meios para o seu desenvolvimento. “O Brasil perde mais um dos seus filhos que se dedicou à carreira politica. Na minha avaliação, não tem uma coisa mais nobre do que defender o povo e a Nação. Itamar exerceu várias funções públicas todas voltadas para isso”, disse.

De acordo com Dr. Carlos Alberto (PMN-RJ), o ex-presidente foi um exemplo de probidade e de competência. “Ele nos deixa um legado muito importante, em termos de comportamento, como o mais alto mandatário desta Nação.”

Em nome da Mesa Diretora, Amauri Teixeira (PT-BA) manifestou pesar pela morte. “Itamar Franco era um mineiro de Salvador, mas nós, baianos, reconhecemos toda a sua mineiridade. Reconhecemos também que foi um dos políticos mais importantes deste País, um dos que deu maior contribuição ao Brasil e que deixou uma herança que nos é muito importante”, disse o deputado, referindo-se ao Plano Real e à estabilização da moeda.

Reportagem – Oscar Telles
Edição – Ralph Machado

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