Relações exteriores

Deputado português critica política externa brasileira

15/06/2011 - 21:50  

Durante o 18º Fórum Brasil-Europa, nesta quarta-feira, na Câmara, o deputado português Paulo Rangel, que representa o Parlamento Europeu no encontro, disse que Portugal apoia um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança das nações Unidas. Mas em seguida criticou a posição brasileira de não apoiar a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, na Síria, e no Sudão.

“Esta não é uma atitude solidária com os direitos humanos, nem é um bom exemplo para outros países emergentes”, afirmou Rangel. “Na Europa e nos Estados Unidos há muita dificuldade para compreender esta posição brasileira. Nós achamos que o Brasil não está agindo conforme seu código genético ocidental.”

Um dos representantes do Brasil no Parlamento do Mercosul, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) qualificou o comentário de “provocação” à política externa brasileira. Segundo ele, “a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) foi para proteger a população civil na Líbia e, no entanto, a Otan está bombardeando aquele país para instalar um novo governo, que não é um objetivo autorizado”.

Acordo internacional
Por outro lado, Dr. Rosinha manifestou otimismo quanto à conclusão do acordo Mercosul-União Européia. “Ele tem que sair”, previu Rosinha, ressaltando que, para isso, as assimetrias terão que ser levadas em conta. Se alas são consideradas internamente, no âmbito do Mercosul, lembrou o deputado, não há como ignorá-las na relação com os países mais ricos da Europa.

Para Dr. Rosinha, os subsídios agrícolas europeus terão necessariamente que entrar no debate. Além disso, o deputado anunciou que será “um resistente” à tentativa, de alguns países europeus, de inclusão no acordo de uma nova cláusula relativa ao respeito às patentes, além das já assumidas pelo Brasil no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Inovação tecnológica
O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) também postulou a necessidade de uma solução para o problema dos subsídios europeus à agricultura. “Há países que chegam a destinar metade do seu orçamento a estes subsídios, para manter artificialmente viva sua agricultura”, citou Mendes Thame.

Outro ponto destacado por Mendes Thame foi o da inovação tecnológica. Para ele, o Brasil enfrenta hoje o problema da desindustrialização, em função da valorização do Real e também da dificuldade de absorção de novas tecnologias. É aí, diz o deputado, que a cooperação da União Europeia pode ser relevante.

“Nós já temos uma atuação afinada com a Europa nos fóruns internacionais, é com a Europa que nós temos nossa maior afinidade, e é a Europa que pode nos ajudar no campo da tecnologia limpa”, afirmou Mendes Thame.

Reportagem – Luiz Claudio Pinheiro
Edição – Newton Araújo

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